São Sebastião “está inserido” na “cultura, na vida” do carioca, porque “desde o início”, a cidade tem o santo mártir “como padroeiro” e, “desde criança, adolescente, jovem”, as pessoas conhecem “a vida de são Sebastião”, disse ontem (20) o arcebispo do Rio de Janeiro (RJ), cardeal Orani Tempesta. Segundo ele, esse fato “faz do carioca um forte, um corajoso, que não desanima diante dos problemas”.

Dom Orani celebrou a missa da festa de são Sebastião, padroeiro do Rio de Janeiro, às 10h, na basílica santuário de São Sebastião, conhecida como igreja dos capuchinhos, na Tijuca, Zona Norte do Rio.

Em sua homilia, o arcebispo contou que são Sebastião, “vivendo dentro do núcleo do Império Romano, não desanimou de ser cristão” e “testemunhou a vida cristã” mesmo naquele ambiente “contrário à fé católica, à fé cristã”.

“Mesmo depois da primeira tentativa de martírio que foram as flechadas, ele se levanta e continua testemunhando o Senhor e vai até o imperador e diz que não estava certo ele perseguir os cristãos”, disse, ressaltando que “vivemos diante de um soldado que foi fiel ao seu trabalho até o fim, mas foi fiel a Jesus Cristo, em quem acreditava”.

“Diante de perder tudo e voltar de novo à vida depois da primeira tentativa de martírio, ele foi um forte, corajoso”, comentou o arcebispo e acrescentou que “isso também está inserido em nossa alma, em nossa vida”.

“Sabemos que enquanto pessoas, enquanto famílias, enquanto cidade, temos muitas flechadas, muitas contradições, muitos problemas. E nós aprendemos a nos levantar sempre, a cada vez mais olhar para frente, recomeçar com renovado ardor a nossa vida. Somos chamados a viver como alguém que deixou incluir em seu coração toda coragem de são Sebastião”, disse.

Dom Orani disse que “mártir quer dizer testemunha” e convidou a “olhar para o testemunho que cada mártir nos dá”. No caso da “cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, tem como seu patrono um mártir que é testemunho até o sangue do seu encontro com Jesus Cristo e que não volta atrás devido às ameaças e perseguições que existem”.

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“Somos chamados de tal maneira a ter um encontro com o Senhor, como foi a vida de são Sebastião. Que nós possamos testemunhar que não existe nada maior do que anunciar que nossa esperança, nossa vida, nossa paz está naquele que nós encontramos que é o Senhor e Salvador, que é o Deus conosco, Deus que veio morar no meio de nós, Jesus Cristo nosso Senhor”, disse.

Dom Orani disse ainda que esse testemunho está na “vocação” da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. O arcebispo contou que, “depois da reconquista dessa região pelos portugueses, que a tinham perdido para os franceses”, eles “fundaram no Morro do Castelo a paróquia de São Sebastião e fundaram a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro”. Dez anos depois, disse, a cidade recebeu “uma missão muito grande”, de “ser responsável pela metade do Brasil na organização eclesial”, com a constituição da prelazia de São Sebastião do Rio de Janeiro, cujos 450 anos foram celebrados no ano passado. Cem anos depois, foi criada a diocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. Por isso, neste ano, a arquidiocese está vivendo um ano jubilar.

“Nós queremos olhar para nossa responsabilidade enquanto Igreja, enquanto município e estado do Rio de Janeiro, pedindo ao Senhor que, assim como recebemos uma grande incumbência logo no início dessa cidade, que continuemos ser exemplo de vencer as dificuldades, de vencer os problemas, de poder cuidar um pouco de tantas responsabilidades, de levar a paz e a fraternidade a todos aqueles que, de certa forma, nos acessam, nos veem”, disse o arcebispo.

Durante o dia, várias missas foram celebradas na basílica de São Sebastião, em honra ao padroeiro. Às 16h, aconteceu a tradicional procissão saindo da igreja dos capuchinhos e percorrendo cerca de 5 km até a catedral metropolitana, no Centro do Rio de Janeiro.

Uma multidão fez trajeto seguindo a imagem de são Sebastião, muitos vestindo camisas vermelhas ou brancas. A procissão foi declarada patrimônio cultural do Rio de Janeiro em 2014.

Ao chegar à catedral, houve a encenação do Auto de São Sebastião, contando a história do santo mártir.