6 de jan de 2026 às 14:05
O bispo de Winona-Rochester, Minnesota, EUA, Robert Barron, fundador do ministério Word on Fire, criticou o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, por prometer aos eleitores "o calor do coletivismo" em seu discurso de posse na última quinta (1).
Mamdani, democrata que derrotou dois candidatos com 51% dos votos na eleição de novembro do ano passado, venceu com uma plataforma socialista. Ele prometeu ônibus gratuitos, supermercados municipais, creches gratuitas, aumento do salário mínimo para US$ 30 (cerca de R$ 161) por hora e congelamento do aluguel para pessoas em apartamentos com aluguel controlado.
“Substituiremos a frieza do individualismo exacerbado pelo calor do coletivismo”, disse Mamdani em seu discurso de posse.
“Se nossa campanha demonstrou que o povo de Nova York anseia por solidariedade, então que este governo a promova”, disse ele. “Porque não importa o que você coma, que idioma você fale, como você reza ou de onde você venha — as palavras que melhor nos definem são as duas que todos dividimos: nova-iorquinos”.
Barron, bispo de Winona-Rochester, Minnesota, disse na rede social X que essa frase o "deixou sem fôlego".
“O coletivismo, em suas várias formas, é responsável pela morte de pelo menos 100 milhões de pessoas no último século”, disse Barron.
“Os modos de governo socialistas e comunistas em todo o mundo hoje — Venezuela, Cuba, Coreia do Norte, etc. — são desastrosas”, disse o bispo. “A doutrina social da Igreja tem condenado consistentemente o socialismo e aderido à economia de mercado, que pessoas como o prefeito Mamdani caricaturam como individualismo exacerbado. Na verdade, ela é o sistema econômico que se baseia nos direitos, na liberdade e na dignidade da pessoa humana”.
“Pelo amor de Deus, poupem-me do calor do coletivismo”, concluiu Barron.
Doutrinas católicas sobre o socialismo
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Tanto o socialismo quanto o comunismo foram condenados por muitos papas. Primeiro pelo papa beato Pio IX em sua encíclica Nostis et nobiscum de 1849, um ano depois de Karl Marx ter publicado O Manifesto Comunista.
O fundamento da Doutrina Social da Igreja está na encíclica Rerum novarum, do papa Leão XIII, de 1891.
Na encíclica, Leão XIII denunciou o socialismo e o comunismo, e também condenou as péssimas condições de trabalho da classe trabalhadora e empregadores "que usam os seres humanos como meros instrumentos para ganhar dinheiro".
As classes “têm imperiosa necessidade uma da outra: não pode haver capital sem trabalho, nem trabalho sem capital”, escreveu o papa do século XIX. “A concórdia traz consigo a ordem e a beleza; ao contrário, dum conflito perpétuo só podem resultar confusão e lutas selvagens”.
O papa Pio XI, em sua encíclica Quadragesimo anno, publicada em 1931 , escreveu sobre a importância da propriedade privada, que o homem deve ser capaz de “cultivar e desenvolver plenamente todas as suas faculdades, para louvor e glória do Criador, e pelo fiel cumprimento dos deveres da sua profissão ou vocação, qualquer que ela seja, grangeie a felicidade temporal e eterna”.
O socialismo, disse ele, “ignora por completo ou despreza esse fim sublime dos indivíduos e da sociedade, opina que o consórcio humano foi instituído só pela vantagem material que oferece”.
“Socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista”, escreveu Pio XI.
O papa Bento XVI diferenciou o socialismo do socialismo democrático. Em 2006, ele escreveu: “Em muitos aspectos, o socialismo democrático era e é próximo da doutrina social católica e, em todo caso, deu uma contribuição notável para a formação de uma consciência social”.
Embora, em sua encíclica de 2005, Deus caritas est, Bento XVI tenha escrito que o governo não deve controlar tudo, a sociedade precisa de um Estado que, “generosamente reconheça e apoie, segundo o princípio de subsidiariedade, as iniciativas que nascem das diversas forças sociais e conjugam espontaneidade e proximidade aos homens carecidos de ajuda”.
O papa Francisco criticou a ideologia marxista, mas também criticou o “individualismo radical”, que, segundo ele, em sua encíclica Fratelli tutti, publicada em 2020, “faz-nos crer que tudo se reduz a deixar à rédea solta as próprias ambições, como se, acumulando ambições e seguranças individuais, pudéssemos construir o bem comum”.
Em 2024, Francisco incentivou a cooperação e o diálogo entre marxistas e cristãos.
O Catecismo da Igreja Católica diz, no número 2.425: “A Igreja rejeitou as ideologias totalitárias e ateias, associadas, nos tempos modernos, ao «comunismo» ou ao «socialismo». Por outro lado, recusou, na prática do «capitalismo», o individualismo e o primado absoluto da lei do mercado sobre o trabalho humano”.



