À medida que o Sínodo da Sinodalidade em Roma entra na sua última semana com um calendário alterado, todos os olhos estão voltados para a antecipada “Carta ao Povo de Deus”, esperada para amanhã (25).

A tradição do sínodo escrever tal carta – ou produzir um documento ou mensagem semelhante aos fiéis – está longe de ser nova. No entanto, o documento deste ano pretende uma nova reviravolta, pelo menos na forma como é concretizado: ao contrário do documento sumário previsto para aprovação no sábado (28), ao final do sínodo, esta carta serve como uma bússola, apontando o caminho para o caminho sinodal.

Como afirma o prefeito do Dicastério da Comunicação, Paolo Ruffini, se o resumo for “transitório”, a carta ao povo de Deus que precede o documento de síntese deve ilustrar a trajetória sinodal desejada, abrangendo temas importantes como paz, migração e alinhamento com o papa e o magistério papal, discutidos com veemência na última semana de discussões.

O relator geral do sínodo, o cardeal jesuíta Jean Claude Hollerich, já delineou um “roteiro” para a próxima fase do sínodo no seu discurso de abertura. Várias propostas deverão ser reunidas, embora não esteja claro se novas etapas continentais ou outras etapas locais vão acontecer.

A vontade da secretaria geral do sínodo parece ser ter uma presença sólida e penetrante nos processos. Portanto, tudo dependerá do que o secretariado solicitar aos órgãos regionais e continentais.

A agenda desta semana

As discussões vão continuar durante toda a semana, intercaladas com tempo para oração e reflexão. Na quarta-feira (25), a congregação geral se reunirá para revisar o resumo do relatório apresentado pelo relator geral, seguido de discurso aberto à tarde e um rosário.

As alterações ao documento de síntese serão deliberadas na quinta-feira (26) nos círculos menores, e a próxima fase do processo sinodal será discutida na congregação geral à tarde. Após uma pausa na sexta-feira (27), o documento é revisado na sala no sábado (28), pela manhã e à tarde, antes da aprovação, antes de ser concluído com o Te Deum.

Deliberações teológicas

À medida que o sínodo se aproxima da conclusão, o apelo do papa à confidencialidade mantém os debates em grande parte internos, mas sem soluções práticas para questões vitais como a diminuição das vocações ou a fé vacilante, mesmo em nações tradicionalmente católicas. O sínodo, na última sexta-feira (20), acolheu o segundo de dois eventos na basílica de São Pedro, intitulado “Sem prejuízo do primado da cátedra de Pedro: o exercício do ministério petrino numa Igreja sinodal”, explorando o equilíbrio entre primado e reforma da Igreja num contexto sinodal.

Moderado pelo o padre Dario Vitali e apresentando discussões de teólogos como o padre Leonardo Pelonara e o padre Luca Massari, o evento dissecou a relação entre primazia, colegialidade e potencial dissidência em relação às decisões papais. O discurso também abordou o esforço do papa Francisco para reforçar as conferências episcopais e afirmou que a recepção dos documentos papais não é meramente passiva, mas um apelo aos leigos para se envolverem e discernirem, com os bispos a supervisionarem o processo para evitar divisões.

Rosalba Manes, professora de Novo Testamento, mergulhou na narrativa do Evangelho da Última Ceia de João, enfatizando as lições de servidão e liderança que ela oferece aos apóstolos modernos, exortando-os a imitar os exemplos de altruísmo e proteção de Jesus e Pedro para com os outros.

Preparando o cenário para a semana - e para o próximo ano

O tema da primazia papal será, sem dúvida, um tema central da discussão do sínodo e influenciará o documento final. O debate oscila entre aqueles que gostariam de mudar as estruturas da Igreja – aplicando uma variedade de ideias – e aqueles que defendem o papel central do papa.

Independentemente de para onde a agulha da bússola apontar, esta sessão do sínodo irá, sem dúvida, preparar o terreno para a reunião de 2024.