Na manhã de hoje (4), o papa Francisco visitou o Centro Paroquial de Serafina onde teve um encontro com os representantes e membros de alguns centros de assistência e caridade de Lisboa.

No seu discurso, o papa agradeceu aos representantes por estar sempre gerando vida nova.

A seguir, o texto completo pronunciado pelo papa Francisco:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Agradeço ao pároco as suas palavras, e saúdo a todos os presentes, em particular aos amigos do Centro Paroquial da Serafina, da Casa Família Ajuda de Berço e da Associação Acreditar. Agradeço a palavra de vocês, que mostraram o trabalho que é feito. Obrigado.  

É bom estarmos aqui juntos, enquanto, no contexto da Jornada Mundial da Juventude, olhamos para a Virgem Maria que Se levanta para ir ajudar. A caridade é a origem e a meta do caminho cristão, e a vossa presença, realidade concreta de “amor em ação”, ajuda-nos a não esquecer a rota, o sentido daquilo que estamos fazendo sempre. Obrigado pelos seus testemunhos, dos quais quero destacar três aspetos: fazer juntos o bem, agir no concreto e estar próximo dos mais frágeis.

 Primeiro, fazer juntos o bem. «Juntos» é a palavra-chave, que ouvi repetir muitas vezes nas intervenções. Viver, ajudar e amar juntos: jovens e adultos, sãos e doentes… juntos. O João disse-nos uma coisa muito importante: é preciso não se deixar «definir» pela doença, mas fazer dela parte viva do contributo que prestamos ao conjunto, à comunidade. É verdade! Não devemos deixar-nos «definir» pela doença ou pelos problemas, porque não somos uma doença nem um problema. Cada um de nós é um dom, um dom único com os seus limites, mas um dom, um dom precioso e sagrado para Deus, para a comunidade cristã e para a comunidade humana. Então, assim como somos, assim como somos, enriqueçamos o conjunto e deixemo-nos enriquecer pelo conjunto!

 Segundo, agir no concreto. Também isto é importante. A Igreja não é um museu de arqueologia, mas – como nos recordava o padre Francisco, citando a São João XXIII – é «o antigo fontanário da aldeia que dá água às gerações de hoje, como a deu às do passado» (Homilia na Liturgia em Rito BizantinoEslavo em honra de São João Crisóstomo, 13/XI/1960). O fontanário serve para matar a sede das pessoas que chegam com o peso da viagem ou da vida e são concretização, portanto, atenção ao “aqui e agora”, como vocês já estão fazendo, com o cuidado nos detalhes e sentido prático, belas virtudes típicas do povo português.

São muitas as coisas que eu gostaria de dizer-lhes agora, mas acontece que meus refletores não estão funcionando e eu não consigo ler bem, por isso, vou dá-lo a vocês para que o publiquem depois, e não forçar a vista ou ler mal, isso não pode ser feito.

Eu só quero me deter agora em algo que não está escrito, mas está no espírito disso. O concreto. Não há amor abstrato, não existe, o amor platônico está em órbita, não está na realidade, o amor concreto, esse que suja as mãos. Cada um de nós pode perguntar o amor que eu sinto a todos os daqui, o que sinto aos demais, é concreto ou abstrato? Quando eu dou a mão a uma pessoa necessitada, a um doente, a um marginalizado, depois de dar a mão, eu lavo em seguida para que não me contagie? Eu tenho nojo da pobreza, da pobreza dos demais? Busco sempre a vida destilada, essa que existe na minha fantasia, mas não existe na realidade?

Quantas vidas destiladas, inúteis, que passam pela vida sem deixar sua marca porque sua vida não tem peso. E aqui temos uma realidade que deixa uma marca, uma realidade de tantos anos, tantos anos, que está deixando uma marca que é uma inspiração para os outros. Não poderia existir uma Jornada Mundial da Juventude sem levar em conta essa realidade, porque isso também é juventude no sentido de que vocês geram continuamente uma nova vida, com a sua conduta, com o seu compromisso, com o fato de sujarem as mãos tocando a realidade da miséria dos outros, vocês estão gerando inspiração, estão gerando vida. Obrigado por isso, agradeço de todo o meu coração, continuem e não desanimem, e se desanimarem, tomem um copo de água e sigam adiante.

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