O bispo auxiliar de Manágua, dom Silvio Báez, chamou de "repugnante e cínico" o cenário que o governo da Nicarágua armou no fim de semana, ao apresentar dom Rolando Álvarez, condenado a 26 anos e quatro meses de prisão por “traição à pátria”.

O meio “El 19 digital”, ligado ao governo de Daniel Ortega na Nicarágua, divulgou no sábado (25) fotos e um vídeo do bispo de Matagalpa, que teve um encontro com seus irmãos na prisão conhecida como La Modelo.

As imagens mostram o bispo com uniforme azul de presidiário, em uma sala limpa e cercada por cortinas brancas, enquanto almoça com seus irmãos Vilma e Manuel Antonio em uma mesa redonda.

Na sala de jantar também há três poltronas azuis com uma mesinha de centro e vários vasos de planta ao redor.

“Fiquei muito feliz em ver as fotos do meu irmão, dom Rolando. Graças a Deus ele está vivo! O cenário da ditadura foi repugnante e cínico e não apaga seu crime”, escreveu no Twitter o bispo auxiliar de Manágua, dom Silvio Báez, exilado nos EUA.

“A força da oração do povo e da pressão internacional foi revelada. Soltem-no já!”, acrescentou Báez.

Em outubro de 2022, a Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) descreveu algumas violações mais comuns cometidas neste presídio, como a superlotação das celas, a falta de atendimento médico, as agressões de agentes penitenciários contra os presos, a retenção de familiares que visitam e a ingestão de alimentos misturados com detergente.

Martha Patricia Molina, advogada e pesquisadora nicaraguense, disse à ACI Prensa, agência em espanhol do grupo ACI, que “o regime cedeu à pressão social e, obviamente, tudo foi uma montagem para fazer um espetáculo e dizer que o bispo não está sequestrado, mas em um local de férias”.

“Dom Rolando José é um bispo da paz e do bem. Observamos um bispo humilde, fortalecido, sereno e alegre, mas maltratado em sua aparência física. O tempo todo ele mostrou humildade para ensinar a seus carrascos que não paga o mal com o mal", disse a autora do relatório "Nicarágua, uma Igreja perseguida?"

Félix Maradiaga, ex-candidato presidencial deportado em fevereiro com mais de 200 presos políticos para os EUA, disse no Twitter que "para aqueles que conhecemos as prisões da ditadura, sabemos que o sorriso sereno de dom Álvarez se deve a sua coragem e fé em Deus".

 

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“Com estas imagens, a ditadura não engana ninguém! Os direitos do bispo estão sendo limitados e ele está sequestrado! Exigimos sua libertação imediata", disse.

Maradiaga escreveu em outro tuíte que "dom Álvarez está na prisão porque era a única voz livre que restava para pregar a verdade na Nicarágua: 'Somos criados iguais, dotados por nosso Criador de certos direitos inalienáveis, entre eles estão a Vida, a Liberdade e a busca da Felicidade’ #Liberdade”.

O padre Uriel Vallejos, que conseguiu escapar da perseguição do regime em setembro de 2022 e agora vive no exílio, escreveu um tuíte denunciando que “o regime apresenta dom Rolando em um cenário preparado para vender uma imagem falsa; que não corresponde ao tratamento diário de tortura psicológica e desumana”.

“Seu espírito é firme e apresenta a dignidade de um povo humilhado e maltratado pela ditadura cruel”, disse o padre.

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