30 de janeiro de 2026 Doar
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Governo cubano intimou padres e dissidentes por declarações e atividades públicas

Mapa e bandeira de Cuba. | hyotographics / Shutterstock

Padres e dissidentes pacíficos foram intimados em 23 de janeiro pelo regime cubano e interrogados por várias horas. Segundo um analista é um meio de "pressionar e punir" os que defendem o direito de viver num país livre.  

A reportagem foi feita pela plataforma digital Cuba Trendings, que disse que os padres Castor Álvarez Devesa e Alberto Reyes, da arquidiocese de Camagüey, foram convocados pela Segurança do Estado de Cuba “sem motivo aparente”. Na ocasião, ambos estavam em retiro espiritual com o restante do clero.

A plataforma disse que naquele dia Dagoberto Valdés Hernández e Yoandy Izquierdo Toledo, leigos católicos e membros do Centro de Estudos Convivencia (CEC), foram presos em Pinar del Río.

Tanto padres quanto leigos são conhecidos por falar abertamente suas opiniões sobre a realidade cubana, a falta de liberdade e a grave crise econômica que afeta a ilha. 

Osvaldo Gallardo, escritor cubano e ativista pela liberdade religiosa, destacou que esses eventos coincidiram com o 28º aniversário da missa celebrada pelo papa são João Paulo II em Camagüey, na qual o papa polonês encorajou os cubanos a não deixar "para amanhã a construção de uma nova sociedade" e a "serem os protagonistas de sua história".

Em sua conta na rede social Facebook, ele disse que "esses não são incidentes isolados ou administrativos", mas sim "atos de intimidação política dirigidos contra padres e leigos que, por fé, consciência e pensamento cívico, defenderam a dignidade humana, a liberdade e o direito a uma sociedade melhor".

As intimações aos padres Álvarez e Reyes

No caso do padre Álvarez, a intimação durou cerca de três horas. O padre  estivera em Miami dias antes e, em 24 de janeiro, o jornal Diario Las Américas publicou declarações nas quais ele não só reiterou o sofrimento do povo cubano, como também disse que, com a captura de Nicolás Maduro, os EUA haviam “assumido o controle da Venezuela do governo cubano”.

O padre disse que nos protestos de 11 de julho de 2021 — nos quais foi agredido e preso — "dizia-se que os EUA não haviam apoiado o povo cubano”.

“Hoje, a percepção é diferente”, diz ele. “Mesmo assim, há uma esperança contida, de um povo que sofreu tanto que é difícil acreditar em mudanças. Muitos pensam que nada vai acontecer, mas, apesar de tudo, acredito que há esperança". 

Já o padre Alberto Reyes costuma publicar uma postagem semanal em sua página no Facebook sobre a situação em Cuba. Em 16 de janeiro, ele escreveu que “não é segredo” que, depois do que ocorreu na Venezuela, “a esperança de uma mudança radical em Cuba, que trará o fim da ditadura e o início de uma era de democracia e prosperidade, aumentou consideravelmente”.

Na manhã de 23 de janeiro, o padre criticou a sentença contra o jornalista José Gabriel Barrenechea, condenado por gritar palavras de ordem num protesto contra os constantes apagões que afetam a ilha.

O padre Alberto Reyes foi intimado às 17h. Cerca de três horas depois, disse em seu depoimento que ambos estavam bem e que "o objetivo da intimação era nos advertir sobre nossas posições públicas sobre o sistema, que, segundo eles, poderiam constituir crimes puníveis por lei".

 

 

Membros do CEC estão sendo interrogados.

Entre os que também tiveram de responder às perguntas do regime estavam Dagoberto Valdés Hernández e Yoandy Izquierdo Toledo, membros do Centro de Estudos Convivencia (CEC).

A CEC disse em sua conta no Facebook que, na manhã de 23 de agosto, uma patrulha da Polícia Nacional Revolucionária de Cuba chegou à casa de Valdés Hernández para prendê-lo e levá-lo à sede da Segurança do Estado em Pinar del Río.

Yoandy Izquierdo foi preso quando se aproximou da sede da Segurança do Estado com outros membros da Convivencia para obter informações sobre o estado de saúde de Dagoberto Valdés.

“Segundo o oficial da seção jurídica, o motivo da prisão foi a recente visita de Dagoberto ao embaixador Mike Hamer, encarregado de negócios da embaixada dos EUA em Cuba”, disse a Convivencia. “Disseram também que Yoandy Izquierdo seria intimado por ter participado dessa visita (à qual Yoandy não compareceu)”.

Ele disse que Valdés estava sendo acusado de “terrorismo” e de “colaborar com uma potência estrangeira que ameaçou Cuba com intervenção militar”. Trechos de sua coluna El futuro está aquí (O Futuro Chegou), escrita em 19 de janeiro, na qual ele defende uma transição pacífica para a democracia, também foram lidos para ele. 

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A Convivencia disse que “tudo ocorreu entre as 10h e as 14h, momento em que eles puderam voltar para suas casas”.

Osvaldo Gallardo disse que o aviso do regime de que "compartilhar ideias pode constituir um delito contradiz diretamente os princípios democráticos universais" que protegem o pluralismo e a liberdade de pensamento.

Ele disse que o mecanismo do governo comunista de "forçar a aceitação de avisos sem fundamento legal constitui um modo de assédio estatal sistemático, incompatível com os compromissos internacionais assumidos pelo regime cubano na área dos direitos humanos".

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