26 de janeiro de 2026 Doar
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Rede pró-vida europeia opta pelo diálogo individual em vez de manifestações

Voluntários da ProLife Europe atendem numa mesa de informações numa ação de divulgação em Freiburg, Alemanha. | ProLife Europe

À medida que as instituições da União Europeia (UE) e os governos nacionais avançam em políticas que ampliam o acesso ao aborto, alguns observadores perguntam se o movimento pró-vida na Europa ainda existe ou se, em grande parte, se retirou da vida pública.

Embora manifestações em larga escala tenham se tornado menos comuns em alguns países, defensores pró-vida dizem que um movimento mais discreto e popular está se formando em todo o continente, impulsionado principalmente por jovens e com foco menos na pressão política e mais no engajamento cultural.

Uma das organizações centrais nesse esforço é a ProLife Europe, organização pró-vida transfronteiriça fundada em 2019 e sediada em Weißenhorn, Alemanha.

Operando com um orçamento muito menor do que muitas organizações pró-vida sediadas nos EUA e financiada principalmente por doadores individuais, a ProLife Europe expandiu-se rapidamente por Alemanha, Áustria, Suíça, Holanda, Portugal, Lituânia e Polônia.

A organização concentra-se em capacitar jovens para participar de conversas individuais calmas sobre aborto, dignidade humana e o valor da vida, especialmente em ambientes universitários e espaços públicos onde as visões pró-vida são frequentemente marginalizadas.

Uma resposta à fragmentação e à polarização

Embora muitos países europeus já tenham iniciativas pró-vida locais, os fundadores da ProLife Europe disseram ter percebido a necessidade de algo mais coordenado e com foco cultural. Eles falam sobre o que descrevem como a “desinformação generalizada, a polarização e a fragmentação social em torno do aborto” e buscaram construir uma rede estudantil profissional e com orientação internacional, capaz de abordar a questão em um nível cultural mais profundo.

A organização foi oficialmente lançada em março de 2019, pouco antes da pandemia de COVID-19, que limitou severamente as reuniões públicas e as atividades nos campi universitários em toda a Europa.

Apesar dessas limitações, a ProLife Europe adaptou-se através de formação online e capacitação interna.

Os líderes da organização dizem que o interesse entre os jovens cresceu nesse período, reforçando a sua convicção de que muitos jovens europeus estão à procura de novos modos de pensar e falar sobre o aborto, para além de posições ideológicas já consolidadas.

Em 2024, a ProLife Europe havia estabelecido 54 grupos, treinado 4.192 estudantes e feito 285 ações de divulgação.

Uma estratégia cultural, não política

“Nosso foco não está em grandes manifestações ou pressão política”, disse Maria Czernin, presidente da ProLife Europe. “Está no diálogo, em encontrar as pessoas onde elas estão e em plantar sementes”.

Embora a organização não ignore as realidades políticas, Czernin disse que seu trabalho começa num nível mais profundo. "As leis seguem a cultura e, sem uma base cultural, as vitórias políticas permanecem frágeis e reversíveis", disse ela.

Por isso, os voluntários priorizam encontros pessoais, muitas vezes convidando transeuntes para conversas respeitosas que começam com perguntas abertas — como quando começa a vida humana ou como a sociedade define a dignidade humana. Czernin disse que o objetivo não é “vencer” discussões, mas sim reabrir a reflexão moral num contexto onde o aborto é frequentemente tratado como algo indiscutível.

Abordando equívocos comuns

Segundo os líderes da organização pró-vida, muitas conversas começam com suposições que raramente são examinadas pela maioria das pessoas.

“A ideia errada mais comum é que o aborto é um direito da mulher”, disse Lucia Bardini, coordenadora regional para o sul da Alemanha, Áustria e Suíça. Ela disse que tal direito jamais foi declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

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Bardini disse que o aborto é frequentemente enquadrado como uma questão exclusivamente feminina, embora muitos dos envolvidos na realização ou facilitação de abortos sejam homens, inclusive médicos, administradores hospitalares e parceiros de mulheres grávidas.

Entre estudantes do sexo masculino, ela disse que outra suposição recorrente é que eles não têm participação nas decisões sobre aborto. "Isso os isenta da responsabilidade que acompanha a paternidade no futuro", disse Bardini.

Ela disse que alguns estudantes veem o aborto como a única opção viável ao buscar um diploma universitário, principalmente quando as exigências acadêmicas, a pressão financeira ou as restrições de tempo parecem incompatíveis com ter filhos, suposição que, segundo ela, ignora os modos de apoio disponíveis e os caminhos alternativos a seguir.

Responder sem alienação

Respondendo sobre como os defensores da vida podem abordar a crença de que o aborto é um direito consolidado sem alienar as pessoas, Pedro Líbano Monteiro, coordenador regional para Portugal, falou sobre a importância do questionamento respeitoso.

“Muitos direitos que antes pareciam consolidados na história foram depois colocados em dúvida quando a sociedade reconheceu que envolviam danos a terceiros”, disse Monteiro.

Ele disse que as conversas devem começar perguntando quem é afetado e se a dignidade de todos os envolvidos está sendo considerada. "Ser pró-vida não significa condenar as mulheres ou ignorar o sofrimento", disse Monteiro, mas sim reconhecer que "ambas as vidas importam" e que a sociedade deve oferecer soluções melhores do que o aborto, inclusive apoio prático e solidariedade.

Em vez de acusações, disse ele, fazer perguntas convida à abertura. Leis e normas sociais podem mudar, disse Monteiro, mas a realidade moral da vida humana não.

Uma presença discreta, mas crescente

Embora a ProLife Europe não pretenda representar a totalidade do movimento pró-vida europeu, seus líderes veem seu trabalho como parte de uma mudança mais ampla em direção a um engajamento cultural de longo prazo num continente altamente secularizado. "Nosso trabalho é lento", disse Czernin. "Mas a mudança cultural sempre é”.

Benjamin Famula, coordenador regional para o norte da Alemanha, disse que o futuro do movimento pró-vida depende de uma maior disposição para abordar abertamente questões difíceis.

“Precisamos de mais pessoas de todas as esferas da vida que estejam cientes da crise do aborto, para que não ignorem o problema, mas se manifestem”, disse Famula, dizendo que os jovens devem ter a coragem de abordar essas questões onde quer que possam.

Ele disse que as visões pró-vida são frequentemente descartadas como marginais ou radicais, uma percepção que, segundo ele, desencoraja o engajamento ativo e permite que concepções errôneas persistam sem contestação. Famula também exortou por uma liderança mais forte no debate público, instando os defensores da vida a ir além de uma postura puramente defensiva e a destacar as pressões sociais e econômicas enfrentadas por mulheres em situações de gravidez de risco.

Para os líderes da ProLife Europe, o objetivo não é uma mudança política imediata nem visibilidade pública, mas algo mais gradual: reabrir a reflexão moral numa cultura onde o aborto é frequentemente tratado como algo indiscutível, uma conversa de cada vez.

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