Jan 22, 2026 / 13:52 pm
A ex-presidente da Irlanda, Mary McAleese, advogada e canonista católica, disse que o batismo de crianças nega os direitos humanos delas e é um ato de controle por parte da Igreja.
Em artigo de opinião no jornal Irish Times, McAleese disse que as promessas batismais feitas e renovadas na confirmação são "fictícias" e que o batismo infantil ignora o direito posterior das crianças de decidir livremente por si mesmas sua identidade religiosa, de aceitar e abraçar a condição de membros da Igreja, ou de mudar de religião, se essa for sua escolha.
MacAleese faz parte de várias organizações católicas que defendem as mudanças na Igreja que já são tradicionais em círculos progressistas: ordenação de mulheres, colegialidade, fim do celibato sacerdotal etc. Em 2023, McAleese foi uma das palestrantes do evento Spirit Unbounded (algo como Espírito sem amarras), uma espécie de sínodo alternativo paralelo realizado em Roma durante a primeira sessão do Sínodo da Sinodalidade convocado pelo papa Francisco.
Clérigos e leigos irlandeses reagiram à opinião de McAleese. O bispo de Waterford e Lismore, Alphonsus Cullinan, disse à EWTN News que o batismo infantil é comum na maioria das denominações cristãs e tem sido praticado na Igreja desde o primeiro século.
“Jesus nos dá a ordem de ir e batizar”, disse o bispo. “Portanto, a Igreja batiza em obediência a um mandamento expresso que é apoiado pela Bíblia. Assim, batizar crianças no corpo de Cristo é algo muito bom”.
“Se disséssemos que esperaríamos até que uma criança se tornasse adulta para tomar tal decisão, então, que outras decisões deixaríamos de tomar por nossos filhos?”, disse ele. “Não lhes daríamos, por exemplo, boa comida? Não lhes mostraríamos os benefícios do exercício físico e não lhes proporcionaríamos bons cuidados médicos? Esperaríamos até que pudessem tomar suas próprias decisões?”
“Uma das primeiras coisas que os pais católicos fazem com seus filhos é pegar suas mãozinhas e fazer o sinal da cruz”, disse Cullinan. “Que coisa linda. Por que os pais fazem isso? Porque querem que seus filhos tenham um relacionamento com um Deus vivo ao longo de suas vidas e que isso os conduza à vida eterna”.
O padre Owen Gorman, pároco da diocese de Clogher, disse que a Igreja “incentiva o batismo infantil por amor às almas, para que os bebês de pais católicos tenham o melhor começo de vida, sejam mergulhados no mistério de Cristo e preenchidos com a vida de Deus”.
E isso é um grande bem, um bem tão grande que não deve ser adiado”, disse o padre. “A Igreja quer que as crianças experimentem essa imersão em Cristo, que façam parte do Seu corpo, para que tenham vida e a tenham em plenitude”.
Mahon McCann é um estudante de doutorado em ética que foi batizado na fé católica no Sábado de Páscoa do ano passado. Ele foi criado como ateu por pais católicos. Ele disse à EWTN News que deveria ser escolha dos pais batizar seus filhos e dar continuidade à tradição que herdaram.
Gorman disse que a Igreja batiza crianças "como um ato de amor". “Como mãe, ela ama seus filhos e é sábia ao orientar os pais a conduzirem as crianças à graça de Deus e às águas salvadoras do batismo desde tenra idade”, disse ele. “Trata-se de dar o melhor a elas, para que possam ter a melhor vida possível, como parte do Corpo de Cristo, a Igreja. Portanto, a Igreja deseja isso não por um desejo de controlar as pessoas ou exercer poder sobre elas, mas para dar como uma mãe sábia e previdente”.
McCann concordou e falou sobre sua própria experiência: “Meus pais simplesmente cancelaram sua assinatura da Ressurreição em suas próprias mentes e pararam de ir à missa, etc., como muitos católicos hoje em dia. A Igreja não pode fazer nada para obrigá-lo legalmente a buscar a santidade”.
Em seu artigo, McAleese escreveu que o batismo “restringe os direitos das crianças, conforme estabelecido na Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) de 1948 e na Convenção da Organização das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança (CNUDC) de 1989, das quais tanto a Irlanda quanto a Santa Sé — que governa a Igreja e é efetivamente a autora do direito canônico — são Estados signatários”.
McCann disse à EWTN News que, em vez de avaliar o batismo infantil pela ótica dos "direitos", as pessoas deveriam perguntar: "Os direitos humanos são o padrão ético adequado para avaliar a teologia moral católica?"
“A resposta seria não”, disse ele. “A teologia moral católica é teleológica, visa à santidade da pessoa e, portanto, tudo o que leva alguém à santidade é bom e tudo o que afasta alguém da santidade é mau. A ética dos direitos humanos não se preocupa em alcançar a santidade e, portanto, não é a estrutura ética adequada para avaliar os sacramentos ou práticas católicas”.
McCann disse que não entendia completamente o batismo infantil antes de se tornar católico, mas discorda da ideia de que seja como um contrato legal entre duas partes.
“Essa é uma compreensão moderna muito superficial do rito do batismo e, na verdade, da tradição em si”, disse ele.
“Uma tradição, por definição, é intergeracional — uma tradição que não é transmitida de uma geração para outra não é uma tradição”, disse McCann. “O batismo infantil é, primordialmente, uma decisão dos pais, que estão oferecendo a seus filhos a participação na vida da Igreja e no modo de vida católico tradicional que conduz à sua salvação”.
“A ideia de que bebês e crianças devam consentir em fazer parte de uma determinada tradição é tão ridícula quanto dizer que eles devem escolher o idioma que vão falar”, disse McCann.
As melhores notícias católicas - direto na sua caixa de entrada
Inscreva-se para receber nosso boletim informativo gratuito ACI Digital.
Nossa missão é a verdade. Junte-se a nós!
Sua doação mensal ajudará nossa equipe a continuar relatando a verdade, com justiça, integridade e fidelidade a Jesus Cristo e sua Igreja.
Doar