22 de janeiro de 2026 Doar
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Governo nigeriano é instado a garantir libertação de 167 fiéis sequestrados de igrejas

O reverendo Daniel Bagama estava entre as quatro pessoas sequestradas da aldeia de Ungwan Danladi, no município de Kajuru, por agressores que falavam a língua fulani e que exigem um resgate de 20 milhões de nairas (cerca de R$ 74,8 mil), segundo a organização Christian Solidarity Worldwide (CSW). | Cortesia do Departamento de Assuntos Políticos de Kaduna

A organização de direitos humanos Christian Solidarity Worldwide (CSW), sediada no Reino Unido, instou autoridades nigerianas a "garantir a libertação" de 167 fiéis supostamente sequestrados em ataques coordenados a três igrejas na comunidade de Kurmin Wali, na área do governo local de Kajuru, no Estado de Kaduna.

Em um relatório divulgado à ACI Africa, agência da EWTN na África, na terça-feira (20), a liderança da CSW condenou o sequestro em massa que teria acontecido em 18 de janeiro, enquanto fiéis participavam de cultos dominicais.

Segundo o relatório, as tentativas da equipe da CSW Nigeria de ter acesso à comunidade para verificar o incidente foram bloqueadas por militares, que teriam citado ordens permanentes proibindo a entrada na área.

“A CSW está extremamente preocupada com os esforços oficiais para encobrir os sequestros que aconteceram em Kurmin Wali e para impedir que os moradores falem com a imprensa”, disse no relatório o presidente fundador da CSW, Mervyn Thomas.

Thomas instou autoridades nigerianas a "fazer tudo ao seu alcance para garantir a libertação dos sequestrados em Kurmin Wali em 18 de janeiro, e de todos os outros sequestrados atualmente mantidos em cativeiro terrorista nos Estados do centro e do norte da Nigéria".

“O governo da Nigéria, tanto a nível estadual quanto federal, deve ser transparente sobre a dimensão e a gravidade da crise de segurança que o país enfrenta, e especificamente sobre a assimetria com que as comunidades cristãs estão sendo alvejadas, a fim de garantir uma resposta eficaz ao terrorismo que tem assolado a vida de cidadãos vulneráveis ​​em toda a região central da Nigéria por tempo demais”, disse Thomas.

Segundo o relatório da CSW, agressores armados, supostamente milicianos fulani, invadiram Kurmin Wali por volta das 9h, chegando a pé e em motocicletas.

Segundo relatos, os agressores se dividiram em três grupos, tendo como alvo as igrejas Evangelical Church Winning All (ECWA), Albarka Cherubim and Seraphim 1 e Haske Cherubim and Seraphim 2.

Fontes locais disseram à CSW que fiéis foram cercados e forçados a entrar numa área de mata próxima. Mulheres idosas e crianças pequenas foram libertadas depois, enquanto 11 pessoas conseguiram escapar.

A CSW informou, na terça-feira, que 167 pessoas permaneciam em cativeiro.

O relatório da CSW disse que “o povo Adara da área do governo local de Kajuru tem sofrido ataques constantes desde que seu governante tradicional, o Agom Adara III, Sua Alteza Real Maiwada Raphael Galadima, foi sequestrado e assassinado por agressores fulani em 2018, apesar do pagamento de um resgate”.

“Kurmin Wali e as comunidades vizinhas têm sofrido repetidos ataques e sequestros”, diz o relatório. “Por exemplo, em 11 de janeiro de 2026, 21 pessoas foram sequestradas na comunidade e só foram libertadas depois do pagamento de cerca de 7 milhões de nairas (cerca de R$ 26,1 mil) em resgate”.

O relatório disse que antes, em 2 de janeiro, o líder da igreja ECWA, reverendo Philip Adamu, “estava entre as quatro pessoas sequestradas da aldeia de Ungwan Danladi, no município de Kajuru, por agressores que falavam fulfude, a língua fulani, e que ligaram para a comunidade no dia seguinte, exigindo resgates de 20 milhões de nairas (cerca de R$ 74,8 mil) pelo reverendo Adamu e 10 milhões de nairas (cerca de R$ 37,4 mil) pelos outros reféns”.

A CSW descreveu os ataques repetidos como uma falha de responsabilidade do governo, alertando que comunidades rurais estão sendo empurradas para uma pobreza ainda maior devido aos pagamentos de resgate e ao deslocamento forçado.

“Ao mesmo tempo que aplaude os sucessos militares registrados nos últimos meses, a CSW condena os repetidos ataques às pessoas vulneráveis ​​em Kurmin Wali e nas comunidades vizinhas”, disse o reverendo Yunusa Sabo Nmadu, diretor executivo da CSW.

Ele instou as agências de segurança a "garantir a libertação imediata dos sequestrados e a reforçar a segurança em todas as outras áreas vulneráveis".

“Também instamos ao governo para que fortaleça a capacidade local desses aldeões para que sirvam como a primeira linha de defesa contra os terroristas, que se sentem cada vez mais encorajados a cada sequestro sem resposta”, disse Nmadu.

Os recentes ataques aconteceram apesar da designação, pelo governo da Nigéria, da milícia fulani e de outros grupos armados como organizações terroristas em dezembro do ano passado, sob uma nova doutrina antiterrorista. A CSW disse que os sequestros contínuos levantam sérias preocupações quanto à aplicação da lei e à proteção dos civis.

A CSW disse que no Estado vizinho de Kogi, 24 dos 30 fiéis sequestrados em dezembro do ano passado foram libertados depois do pagamento de um resgate, embora seis pessoas permaneçam em cativeiro e várias outras tenham morrido enquanto estavam detidas.

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