Jan 21, 2026 / 15:37 pm
“Falar de Igreja sinodal parece ser uma novidade. No entanto, seria equivocado pensar assim”, escreveu o arcebispo de São Paulo (SP), cardeal Odilo Scherer, em artigo publicado por Vatican News, serviço de informação da Santa Sé. “A Igreja de Jesus Cristo é sinodal por sua natureza e assim também foi na prática desde a época apostólica”.
Segundo o cardeal Scherer, o papa Francisco só “ajudou-nos a redescobrir” isso no sínodo sobre a sinodalidade da Igreja. Para dom Odilo, a “marca sinodal fundamental da Igreja” que existe há mais de dois mil anos é a “comunhão em Cristo, uma vez que é Ele o fundamento de nossa fé”.
“A Igreja está unida a Ele, ou não é sua Igreja”, disse o cardeal ressaltando que “no Evangelho de Jesus e na palavra dos Apóstolos, os cristãos encontram os motivos mais profundos de sua vida de fé”, como a “a comunhão, a participação e a missão”, que também são “marcas sinodais da Igreja” e “estão claramente presentes nos Evangelhos, na Igreja da era apostólica, especialmente nos escritos de são Paulo, são Pedro e são João”.
Com base “nos escritos paulinos”, dom Odilo relata que o capítulo 12 da primeira carta de são Paulo aos Coríntios diz que “em Cristo, somos todos unidos num só corpo”, ou seja, “somos todos membros de um único corpo, do qual Cristo é a cabeça”.
“São Paulo usa a comparação do corpo e dos membros para ensinar que na Igreja há uma única cabeça: Cristo”, e embora haja “muitos membros e funções, como num corpo; nem todos os membros têm a mesma função, mas cada um contribui para o bem do corpo todo”, disse dom Odilo. “Assim deve ser na Igreja também”, disse o cardeal. “Cada batizado e membro da Igreja ajuda na missão da Igreja com o próprio dom”.
Para o cardeal Scherer, a participação e a missão também são outras "marcas sinodais" importantes "da Igreja”.
A participação na Igreja, “antes de ser ação nossa, é graça recebida de Deus”, segundo o arcebispo. Ela “significa que todos os batizados têm parte no bem da Igreja”, como: “o bem do Evangelho, da redenção, da misericórdia alcançada por Cristo para todos sobre a cruz; o dom do Espírito Santo, dos Sacramentos, da fé comum, esperança e caridade; das promessas de Deus, do patrimônio espiritual da vida bimilenar da Igreja, com o testemunho dos Santos e mártires, a sabedoria da fé desenvolvida por tantos pregadores e doutores da Igreja”.
Sobre a missão, dom Odilo pontuou que ela “não é uma atividade reservada apenas a alguns poucos”, mas a “todos os membros da Igreja” que “participam da missão que Jesus Cristo confiou aos seus discípulos”.
“Na Igreja de Cristo ninguém está dispensado de colocar seus próprios dons a serviço do Evangelho e do testemunho do Reino de Deus”, disse o arcebispo exemplificando que “são Paulo foi um grande missionário e evangelizador e se entregou inteiramente à missão. Mas não foi um pregador isolado ou solitário, pelo contrário, ele contou com a participação de muitos companheiros de missão e em cada comunidade deixava encarregados para exercerem o cuidado e a animação da missão”.
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