Jan 14, 2026 / 13:14 pm
O secretário para as Relações com os Estados e Organizações Internacionais da Santa Sé, arcebispo Paul Richard Gallagher, disse que a prática da barriga de aluguel é um “novo modo de colonialismo” em que os interesses dos adultos prevalecem sobre os direitos das crianças.
A Embaixada da Itália junto à Santa Sé sediou ontem (13) o evento Uma Frente Comum pela Dignidade Humana: Prevenindo a Mercantilização de Mulheres e Crianças na Gestação de Substituição, com o objetivo de fomentar o debate internacional sobre essa prática e aumentar a conscientização sobre suas implicações éticas, legais e sociais.
O evento, realizado no palácio Borromeo, em Roma, faz parte de um projeto de conscientização promovido pelo Ministério da Família, da Natalidade e da Igualdade de Oportunidades da Itália, em conjunto com a Santa Sé, no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU).
Em seu discurso, Gallagher disse que a gestação por substituição é uma questão que diz respeito a toda a humanidade e pediu uma frente unida para acabar com "a mercantilização de mulheres e crianças".
A autoridade da Santa Sé disse que essa prática “explora corpos e esvazia relações”, reduzindo a pessoa a um mero produto, como denunciou o papa Francisco. Gallagher disse também que o papa Leão XIV alertou recentemente que a gestação por substituição sacrifica os direitos das crianças.
Em seu discurso ao Corpo Diplomático junto à Santa Sé em 9 de janeiro, o papa disse que “ao transformar a gravidez num serviço que pode ser comercializado, viola a dignidade tanto da criança, reduzida a um produto, como da mãe, instrumentalizando o seu corpo e o processo de gestação, e alterando o projeto de relacionamento original da família”.
Assim, o bispo Gallagher disse que a gestação por substituição — mesmo quando apresentada como “um gesto de generosidade” — reduz a pessoa a um “objeto de transação”.
“É a venda de uma criança, entregue aos compradores em virtude de um contrato que coloca os interesses dos adultos no centro, e não os das crianças”, disse ele.
O bispo disse também que isso reduz o corpo da mulher a um "mero instrumento reprodutivo", afetando a concepção social da maternidade e da dignidade humana, segundo o Vatican News, serviço oficial de informações da Santa Sé.
Dizendo que grupos feministas também o rejeitam, o bispo Gallagher disse que é "um novo tipo de colonialismo" que favorece a exploração das pessoas mais vulneráveis e que o consentimento das mulheres é muitas vezes resultado de "pressão econômica".
Por fim, a autoridade da Santa Sé defendeu a “abolição total” da prática e disse rejeitar a criação de um quadro regulamentar internacional, algo que, na sua opinião, geraria “mais crianças destinadas a serem vendidas”.
O evento também teve com discursos do embaixador italiano junto à Santa Sé, Francesco Di Nitto; do decano do Corpo Diplomático junto à Santa Sé e embaixador do Chipre, George Poulides; e da ministra da Família, da Taxa de Natalidade e da Igualdade de Oportunidades da Itália, Eugenia Roccella.
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