5 de fevereiro de 2026 Doar
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Fé e confiança em Deus são as chaves para a saúde mental, diz bispo dos EUA

O bispo de Arlington, Virgínia, EUA, Michael Burbidge. | Diocese de Arlington

“Conversando com meus pastores, ficou muito claro que realmente existe uma crise no momento em relação à saúde mental e ao bem-estar emocional, especialmente entre os jovens”, disse o bispo de Arlington, Virgínia, EUA, Michael Burbidge, à EWTN sobre uma carta pastoral que publicou recentemente. “A fé e a confiança em Deus demonstram ser as chaves para a saúde e o bem-estar eternos da humanidade”.

 

“A dimensão e o alcance dessa crise são impressionantes”, disse ele na carta intitulada O Médico Divino e uma Abordagem Cristã para a Saúde Mental e o Bem-Estar. Burbidge disse esperar “dar encorajamento e orientação, à luz das doutrinas de Cristo e do Evangelho, a todos os que desejam enfrentar e superar os desafios do mundo moderno à saúde mental e ao bem-estar”.

A depressão é hoje a principal causa de incapacidade no mundo. Um em cada cinco adultos americanos têm problemas de saúde mental a cada ano, segundo a Aliança Nacional de Doenças Mentais (NAMI, na sigla em inglês), citada pelo bispo em sua carta. Burbidge disse à EWTN News que “há uma real necessidade pastoral de aconselhamento em saúde mental, e meus pastores me disseram que não têm a especialização” que muitas famílias precisam.

A importância de conselheiros com uma perspectiva cristã

Segundo ele, muitos pais e casais católicos buscam conselho, mas frequentemente esse aconselhamento "não parte de uma compreensão cristã ou católica do mundo, em que as pessoas estão orientadas para Deus, para relacionamentos humanos autênticos e para o desenvolvimento da virtude".

Compreender o mundo através das lentes da fé é “o fator crucial — mesmo em circunstâncias nas quais tal fidelidade parece, aos olhos do mundo em geral, desesperada, insensata ou até mesmo absurda”.

A fé, disse ele à EWTN News, “nos ajuda a vislumbrar o céu mesmo agora… Se isso não fizer parte dos conselhos dados, não trará a cura que buscamos”.

O bispo disse à EWTN News que formou uma comissão de saúde mental há cerca de um ano, composta por especialistas em psicologia, teologia e aconselhamento em saúde mental.

Com a ajuda da comissão, o bispo espera divulgar em breve uma lista abrangente de conselheiros que foram avaliados e recomendados para fiéis em sua diocese.

O padre Charles Sikorsky, LC, presidente da Universidade da Divina Misericórdia, instituição católica que oferece pós-graduação em psicologia e saúde mental clínica e cujos graduados atuam em várias funções na diocese de Arlington, disse à EWTN News que a psicologia não pode ser abordada adequadamente sem "uma visão cristã, uma visão católica da pessoa".

“Somos seres encarnados”, disse Sikorsky. “Portanto, precisamos abordar a dimensão humana, mas também a dimensão espiritual da pessoa, que precisa ser tratada de modo holístico”.

“A palavra psique vem do grego e significa alma”, disse ele. “Portanto, a psicologia é a ciência da alma, e Cristo é o médico divino. Qualquer modo de olhar ou tratar as pessoas que não inclua a totalidade da vida interior e espiritual não vai funcionar. Se você reduzir um ser humano só à biologia ou às experiências, não vai funcionar”.

Em sua carta, Burbidge apontou a falta de comunidade como uma das causas da crise de saúde mental.

“Precisamos estar dispostos a nos conectar com os outros”, escreveu ele. “Fomos feitos para a comunidade e encontramos propósito quando temos a oportunidade de cultivar relacionamentos autênticos com os outros e praticar virtudes como a compaixão”.

“Como pessoas de fé, os cristãos têm uma responsabilidade especial de combater os estigmas que impedem as pessoas de procurar ajuda e de remover as barreiras que mantêm tantas pessoas presas em padrões de isolamento e sofrimento”, escreveu o bispo.

Burbidge falou à EWTN News sobre iniciativas de construção comunitária que líderes de sua diocese iniciaram, especialmente desde o isolamento da pandemia de covid-19.

“As pessoas aprenderam rapidamente com a covid que o isolamento, a falta de contato com uma comunidade acolhedora, prejudicava seu crescimento e afetava sua saúde mental”, disse ele.

O bispo falou sobre um aumento de programas em toda a diocese de Arlington, como estudos bíblicos, palestras e programas como um programa de liderança para homens católicos.

Sikorsky citou a falta de conexão e a solidão, que são particularmente comuns numa sociedade cheia de "desestruturação conjugal e familiar" e na qual a tecnologia separa as pessoas.

“Muitas pessoas têm medo de dizer que precisam de ajuda”, disse ele. “Se a Igreja for o que precisa e deve ser, será um lugar para experimentar um sentimento de pertencimento a algo maior, aonde as pessoas possam vir para serem amadas e compreendidas”.

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'O sofrimento pode ser a cruz' que nos conduz à santidade

O bispo disse que, além de estarem em comunhão com os outros, aqueles que sofrem de problemas de saúde mental também devem perceber que são filhos amados de Deus e que seu “sofrimento intenso, depressão ou qualquer outra condição não define quem eles são”.

“Você é um filho de Deus — isso nunca muda”, disse Burbidge. “Não se identifique com esse sofrimento”.

“Você não precisa necessariamente fugir do sofrimento”, disse ele. “Essa pode ser a cruz que te leva à santidade. Ela não precisa desaparecer completamente para que você esteja bem. Talvez você possa buscar ajuda e ainda assim viver uma vida saudável e equilibrada, convivendo com a ansiedade ou qualquer outra dificuldade que esteja enfrentando. Se isso causa um pouco de sofrimento, ele pode ser unido ao sofrimento do Senhor, e você pode enxergá-lo como um caminho para a santidade”.

Sikorsky fez coro com o bispo, dizendo à EWTN News: “Nossa dignidade está enraizada em sermos filhos de Deus. Sua dignidade é muito mais do que sua luta ou as dificuldades que você enfrentou”.

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