4 de fevereiro de 2026 Doar
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Santo Ansgário, o monge que teve coragem para evangelizar os vikings

Santo Ansgário, missionário na Escandinávia. Pintura de Wenzel Tornøe, 1895. | Domínio público

Conhecido como o Apóstolo do Norte, santo Ansgário (801 d.C. - 865 d.C.) foi um monge missionário que plantou a primeira semente da fé no norte da Europa e evangelizou os vikings na Escandinávia.

Embora o diácono permanente Kaare Nielsen seja da Dinamarca, ele falou à ACI Prensa, agência em espanhol da EWTN, da Groelândia, onde está substituindo por algumas semanas — como faz todos os anos nos últimos 12 anos — o único padre católico da ilha, o padre Tomaž Majcen.

Todo dia 3 de fevereiro, a Igreja celebra santo Ansgário, nascido perto de Amiens, França, que ingressou num mosteiro beneditino quando jovem. O papa Gregório IV confiou a ele a missão de evangelizar as terras escandinavas, e ele foi nomeado o primeiro bispo de Hamburgo, na atual Alemanha.

Nielsen, teólogo e ex-diretor das Pontifícias Obras Missionárias (POM) para os países escandinavos, diz que santo Ansgário buscou humildemente "viver somente com Deus".

“Outras pessoas foram enviadas para a Dinamarca, mas não se atreveram por causa da reputação dos vikings, que eram tão perigosos quanto lobos e mais duros que pedra”, diz ele. “Mas Ansgário foi, e é realmente incrível que ele tivesse esperança de que os vikings pudessem ser cristãos”.

A jornada, segundo ele, não foi isenta de sérios problemas. Sua sé em Hamburgo foi saqueada pelos vikings em 845 d.C., assim como as igrejas que ele havia construído na Suécia. Mas Ansgário não desistiu e conseguiu conquistar a confiança do rei viking Horik II, que lhe permitiu construir a primeira igreja em Hedeby, importante entreposto comercial da época.

Se suas realizações forem vistas “sob a ótica do sucesso”, diz o diácono Nielsen, parece que Ansgário não realizou muito, “já que, no fim das contas, construiu poucas igrejas”. No entanto, ele diz que sua missão lançou as bases para a cristianização da região, processo que se consolidou séculos depois de sua morte em 865 d.C. 

 

Um Cristo vitorioso

Para estabelecer relações com os povos do norte, Ansgar teve que adaptar os símbolos cristãos para que fossem compreendidos pela cultura viking. "Eles precisavam de um Deus poderoso, assim como o rei viking, e não de um Cristo sofredor na cruz”.

“O crucifixo mais antigo encontrado na Dinamarca data do final da era Viking”, diz ele. “É a Cruz de Aby (Åbykorset), que, ao contrário dos crucifixos clássicos onde Cristo era retratado sofrendo, mostra Jesus usando uma coroa como um rei viking e um guerreiro vitorioso”.

O diácono dinamarquês, que decidiu estudar psicologia para melhor compreender os fiéis aos quais serve e que também é responsável pela comunidade católica de língua alemã em Copenhague, capital da Dinamarca, destaca o carisma e a coragem do homem que se tornou o santo padroeiro da Escandinávia.

"Ele devia ter um caráter muito especial", diz o diácono.

“Naquela época, a Dinamarca era um país frio e úmido, com muita floresta”, diz ele. “Havia poucas estradas e era perigoso, então era muito difícil se locomover”. Para Nielsen, esse cenário, onde evangelizar no país se tornou uma tarefa quase impossível, é semelhante ao atual em alguns aspectos: “Hoje é um pouco difícil alcançar as pessoas porque, em geral, elas levam vidas boas e acreditam que não precisam de Deus ou da sua fé”.

No entanto, diz ele, esperançoso, que nos últimos anos a Igreja na Dinamarca — onde os católicos são uma minoria de 1% da população — testemunhou “algo maravilhoso”.

“Alguns jovens estão se aproximando da Igreja e querem se converter ao catolicismo, e a maioria deles são homens”, diz o diácono. “Deus está chamando pessoas para a Igreja hoje, e isso é incrível”.

Assim como Santo Ansgário adaptou sua linguagem para alcançar os corações dos vikings, o diácono permanente diz que hoje também é necessário adaptar-se à linguagem dos jovens para alcançar maiores resultados na evangelização.

“Santo Ansgário diria aos jovens de hoje para não terem medo, para não desistirem”, diz Nielsen. “Na Dinamarca, somos comunidades pequenas, mas esse santo nos ensina que os números não são um reflexo do sucesso e que devemos continuar em frente”.

“O testemunho de santo Ansgário também nos ensina a sermos como monges por dentro, conectados a Deus, e como missionários por fora, em busca das pessoas”, diz ele. “Podemos alcançar apenas alguns, mas se toda a paróquia evangelizar, podemos alcançar muitas pessoas”.

Diante da crescente instabilidade na Groenlândia, Nielsen defende a soberania da ilha e seu direito de decidir seu próprio futuro. Ele diz também que, apesar de só haver 186 católicos na Groenlândia, “todos estão envolvidos e contribuem para a comunidade”.

Ele diz que, apesar da incerteza, os cidadãos permanecem esperançosos “e têm clareza de que a Groenlândia pertence ao povo groenlandês e não é só um pedaço de gelo”.

“Essa afirmação é desrespeitosa”, conclui. “Eles são pessoas vivas que têm seu lar aqui”.

 

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