Família
e Vida: O apelo dos Bispos brasileiros
Preocupados
com os ataques à vida e à família, os bispos brasileiros
reunidos em sua 34ª Assembléia Geral de 17 a 26 de abril
de 1996, aprovaram a seguinte declaração:
Pronunciamento
sobre a família
Nós,
Bispos Católicos, reunidos na 34ª Assembléia Geral,
em Itaici/Indaiatuba, SP, entre os dias 17 e 26 de abril
de 1996, dirigimos uma palavra de esperanças às famílias
brasileiras e fazemos um apelo específico aos Parlamentares
de nosso País.
Às
famílias, gostaríamos de dizer que as admiramos e veneramos
por sua vocação e missão, na Igreja e na sociedade.
Vemos o esforço, por vezes, heróico, com que lutam para
se manterem unidas e cumprirem sua missão.
Por
isso, queremos sempre apoiá-las e defendê-las, sobretudo
neste tempo em que a instituição familiar é gravemente
ameaçada, prejudicada ou esquecida pela legislação civil.
A família,
entretanto, constitui a estrutura básica da sociedade.
O futuro da história passa necessariamente por ela.
É patrimônio precioso da humanidade. Para nós, católicos,
pelo sacramento do matrimônio, ela se torna também sinal
eficaz concreto e lembrança viva do amor com que Deus
sempre amou o seu povo e do amor com que Cristo sempre
amou sua Igreja, pela qual deu sua vida (Cf.. Ef 5,
25-33). Este é o Evangelho fundamental da família. Como
Deus ama o seu povo, assim os esposos são chamados a
se amarem e se doarem mutuamente. Dessa doação nascem
os filhos, que completam a comunidade familiar e ali
precisam encontrar amor, sustento, estabilidade, segurança,
carinho, moradia, saúde e educação.
Além
das famílias assim constituídas, há um grande número
de pessoas vivendo situações familiares irregulares.
Queremos dizer a estes filhos e filhas da Igreja que
Cristo está sempre a bater em sua porta, esperando que
abram e O acolham. Ele será rico em misericórdia e encorajará
a busca de soluções apropriadas. Nós, pastores, queremos
ajudar nesta busca, conscientes de que todos somos pecadores.
Nosso
pensamento e nossa solidariedade muito particular se
dirigem às famílias pobres, desassistidas, imigrantes
e àquelas destruidas pela violência, seja na cidade,
seja no campo e, nestes dias, às famílias atingidas
na trágica chacina de Eldorado de Carajás - PA. Que
o Deus da misericórdia e da esperança esteja muito junto
de tanto sofrimento e o transforme em vida nova!
Por
outro lado, a uma cultura hedonista e consumista, a
uma permissividade moral cada vez maior, veiculada mormente
por Meios de Comunicação Social, que agridem a família
e desorientam a juventude, soma-se uma legislação civil
adversa aos ideais e direitos da família. Não obstante
a lei do divórcio, com grande freqüência aparecem novos
projetos de lei no Congresso Nacional, novos decretos
do Poder Executivo e outros expedientes legais que desfiguram
ou enfraquecem a instituição familiar em seus valores
básicos e permanentes. Uma cultura de morte, sempre
mais difundida, procura abafar a família como natural
fonte de vida. A tentativa de ampliar crescentemente
a legalização do aborto é o processo mais perverso.
Diante
desta situação, reafirmamos nosso repúdio ao aborto
direto e provocado, pois significa matar seres humanos
inocentes e indefesos no próprio seio materno. Queremos
também lutar por melhores condições para que as famílias
possam ser felizes em seu estado de vida e capazes de
cumprir sua missão dentro dos parâmetros éticos, tantas
vezes proclamados pela Igreja.
Aos
Senhores Parlamentares apelamos que, lembrados, inclusive,
de que "a Pátria é a família amplificada"
(Rui Barbosa), se oponham e votem contra os projetos
de lei, em tramitação no Congresso Nacional, prejudiciais
à instituição familiar, como os que ampliam os casos
de despenalização do aborto, o que legaliza a união
civil de pessoas do mesmo sexo e os que permitem a esterilização
humana como método de planejamento familiar. Por isso,
votem em favor do veto presidencial parcial ao Projeto
de Lei (nº 209/91), que veta justamente a esterilização
humana como método de planejamento familiar.
Nesse
horizonte cheio de sombras e preocupações, surge agora
a alegre notícia da visita do Papa João Paulo II ao
Brasil para celebrar, no Rio de Janeiro, o II Encontro
Mundial das Famílias, nos dias 04 e 05 de outubro do
próximo ano. O Papa deseja estar com as famílias e dirigir-lhes
uma palavra de esperança, de ânimo e de envio, como
insubstituíveis agentes da Nova Evangelização, rumo
ao Terceiro Milênio.
A
preparação dessa visita oferece a todos nós oportunidade
única para intensificar a evangelização das famílias,
estruturar ou reforçar a Pastoral Familiar e os Movimentos
afins (Cf. Coleção Estudos da CNBB - Nº 65) em nossas
Dioceses e Paróquias, criar estruturas de apoios às
gestantes para que não cedam à eventual tentação de
eliminar a vida que trazem no seio, mas a acolham com
serenidade. Nesse sentido, fazemos um apelo esperançoso
também aos profissionais da saúde, advogados, cientistas
e universidades, em favor da vida e da família. Enfim,
estimulamos as próprias famílias a se organizarem no
intuito de promover, na sua comunidade e na legislação
do País, seus valores, direitos e a defesa da vida,
desde a sua concepção até a morte natural.
Sentimo-nos
privilegiados e extremamente felizes com a vontade do
Papa de celebrar esse Encontro Mundial no Brasil. As
famílias estão convocadas a participar intensamente
desse evento e a fazer todo o possível para estarem
inclusive presentes, naquele dia, junto do Santo Padre.
A
Sagrada Família de Nazaré, pela fidelidade com que viveu
a missão recebida de Deus, seja o modelo inspirador
de todas as famílias, para as quais pedimos copiosas
bênçãos celestes!
Itaici, Indaiatuba,
25 de abril de 1996