e todas as dignidades eclesiasticas. Aos 18 de janeiro de 1556,
Paulo IV autorizava os sacerdotes a absolver em confissão sacramental os mouriscos.
Compreende-se que a Inquisição Espanhola, mais e mais desvirtuada pelos interesses às
vezes mesquinhos dos soberanos temporais, não podia deixar de cair em declínão. Foi o
que se deu realmente nos séculos XVIII e XIX. Em conseqüência de uma revolução, o
Imperador Napoleão I interveio no governo da nação, aboliu a Inquisição Espanhola por
decreto de 4 de dezembro de 1808. o rei Fernando VII, porém, restaurou-a em 1814, a fim
de punir alguns de seus súditos que haviam colaborado com o regime de Napoleão.
Finalmente, quando o povo se emancipou do absolutismo de Fernando VIl, restabelecendo o
regime liberal no país, um dos primeiros atos das Cortes de Cadiz foi a extinção
definitiva da Inquisição em 1820. A medida era, sem dúvida, mais do que oportuna, pois
punha termo a uma situação humilhante para a Sta. Igreja.
Tomás de Torquemada
Tomás de Torquemada nasceu em
Valladolid (ou, segundo outros, em Torquemada) no ano de 1420 Fez-se Religioso dominicano,
exercendo por 22 anos o cargo de Prior do convento de Santa-Cruz em Segóvia. Já aos 11
de fevereiro de 1482 foi designado por Sixto IV para moderar o zelo dos lnquisidores
espanhóis. No ano seguinte o mesmo Pontífice o nomeou Primeiro Inquisidor de todos os
territórios de Fernando e Isabel. Extremamente austero para consigo mesmo, o frade
dominicano usou de semeIhante severidade nos seus procedimentos judiciários. Dividiu a
Espanha em quatro setores inquisitoriais, que tinham como sedes respectivas as cidades de
Sevilha, Córdova, Jaen e Villa (Ciudad) Real. Em 1484 redigiu, para uso dos lnquisidores,
uma Instrução, opúsculo que propunha normas para os processos
inquisitoriais, inspirando-se em tramites já usuais na Idade Média; esse libelo foi
completado por dois outros do mesmo autor, que vieram a lume respectivamente em 1490 e
1498. O rigor de Torquemada foi levado ao conhecimento da Sé de Roma; o Papa Alexandre
VI, como dizem algumas fontes históricas, pensou então em destitui-lo de suas funções;
só não o terá feito por deferência a corte da Espanha. O fato é que o Pontífice
houve por bem diminuir os poderes de Torquemada, colocando a seu lado quatro assessores
munidos de iguais faculdades (Breve de 23 de junho de 1494). Quanto ao número de
vítimas ocasionadas pelas sentenças de Torquemada, as cifras referidas pelos cronistas
são tão pouco coerentes entre si que nada se pode afirmar de preciso sobre o assunto.
Tomás de Torquemada ficou sendo, para muitos, a personificação da intolerância
religiosa, homem de mãos sangüinolentas...Os historiadores modernos, porém, reconhecem
exagero nessa maneira de conceituá-lo; levando em conta o caráter pessoal de Torquemada,
julgam que este Religioso foi movido por sincero amor é verdadeira fé, cuja integridade
lhe parecia comprometida pelos falsos cristãos; daí o zelo extraordinário com que
procedeu. A reta intenção de Torquemada ter-se-á traduzido de maneira pouco feliz. De
resto, o seguinte episódio contribui para desvendar outro traço, menos conhecido, do
frade dominicano: em dada ocasião, foi levada ao Conselho Régio da Inquisição a
proposta de se impor aos muçulmanos ou a conversão ao Cristianismo ou o exilio.
Torquemada opôs-se a essa medida, pois queria conservar o clássico princípio de que a
conversão ao Cristianismo não pode ser extorquida pela violência; por conseguinte, a
Inquisição deveria restringir sua ação aos cristãos apóstatas; estes, e somente
estes, em virtude do seu Batismo, tinham um compromisso com a Igreja Católica. Como se
vê Torquemada, no fervor mesmo do seu zelo, não perdeu o bom senso neste ponto. Exerceu
suas funções até a morte, aos 16/09/1498.
Conheça
o Site do prof. Felipe Aquino - seus livros e documentos da Igreja
EDITORA CLÉOFAS,CP/100 - 12600-970 - Lorena, SP- (012)5526566
Home Page: www. cleofas.com.br
Email : cleofas@cleofas.com.br