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Os
últimos anos
A partir deste momento o itinerário se torna sumamente incerto por mais que os seguintes acontecimentos parecem estar indicados nas epístolas pastorais: Paulo permaneceu em Creto o tempo necessa'rio para fundar novas Igrejas, cujo cuidado e organização deixou nas mãos do seu colega Tito (Tit., i, 5). Foi depois a Éfeso e rogou a Timóteo, que já estava lá, que permaneceria aí até seu regresso enquanto Paulo se dirigia à Macedônia (I Tim., i, 3). Nesta ocasião visitou, como havia prometido, aos filipensses (Fil., ii, 24), e , naturalmente, também passou a ver os tessalonicensesalonicensses. A carta a Tito e a primeira epístola a Timóteo devem datar deste período; parece que foram escritas ao mesmo tempo aproximadamente, pouco depois de ter deixado a Éfeso. A questão é saber se foram enviadas desde Macedônia ou desde Corinto, como parece ser mais provável. O Apóstolo instrui a Tito para que se reuna com ele em Nicópolis de Epiro donde pensa passar o verão (Titus, iii, 12). Na primavera seguinte deve ter cumprido seu plano de volta a Ásia (I Tim, iii, 14-15). Aqui ocorreu o obscuro episódio da sua prisão, que provávelmente ocorreu em Trôade; isso explicaría o fato de ter deixado uns livros e roupas que necessitou depois (II Tim., ib, 13). De lá foi a Éfeso, capital da proovincia de Ásia, onde o abandonaram todos aqueles que ele pensava que lhe haviam sido fiéis (II Tim., i, 15). Enviado a Roma para ser julgado, deixou a Trófimo doente em Mileto e a Erasto, outr dos seus companheiros, que permaneceram em Corinto por razões nunca esclarecidas (II Tim., iv, 20). Quando Paulo escreveu sua segunda epístola a Timóteo desde Roma, acreditava que toda esperanza humana estava perdida (iv, 6).; nela pede a seu discípulo que venha ver-lhe o mais rápido possível, porque estava apenas com Lucas. Não sabemos se Timóteo foi capaz de ir a Roma antes da morte do Apóstolo. Uma antiga tradição torna
possível estabelecer os seguintes pontos: (1) Paulo sofreu o
martírio cerca a Roma na praça chamada Aquae Salviae (hoje
Piazza Tre Fontane), um pouco ao oeste da Via Ostia, cerca de três
quilômetros da explêndida basílica de São
Paulo Extra Muros, lugar onde foi enterrado. (2) O martírio ocorreu
no fim do reinado de Nero, no décimo segundo ano (São
Epifanio), no décimo terceiro (Eutalio), ou no décimo
quarto (São Jerônimo). (3) De acordo com a opinião
mais comum, Paulo sofreu o martírio no mesmo dia do mesmo ano
que Pedro; alguns padres latinos disputam se foi o mesmo dia mas não
do mesmo ano; a testemunha más antiga, São Dionisio o
Corinto, disse somente Kata ton auton Kairon, o que pode ser traduzido
por "ao mesmo tempo" ou "aproximadamente ao mesmo tempo".
(4) Durante tempo imemorável, a solenidade dos apóstolos
Pedro e Paulo se celebra no dia 29 de Junho, que é o aniversário,
seja da morte, seja do traslado de suas relíquias. O Papa ía
antigamente com seus acompanhantes a São Paulo Extra Muros depois
de celebrar em São Pedro, ainda que a distância entre as
duas basílicas (aprox. oito quilômetros) fazia a cerimônia
cansativa, particularmente nesta época do ano. Assim surgiu o
costume de transferir ao dia seguinte (30 de junho) a comemoração
de São Paulo. A festa da conversão de São Paulo
(25 de janeiro) tem origem comparativamente recente. Há razões
para crer que este dia foi celebrado para marcar o traslado das relíquias
de São Paulo a Roma, posto que assim aparece no Martirologio
Hieronimiano. Esta festa é desconhecida na igreja grega (Dowden,
"The Church Year and Kalendar", Cambridge, 1910, 69; cf. Duchesne,
"Origines du culte chrétien", Paris 198, 265-72; McClure,
"Christian Workship", London, 1903, 277-81). |