O pároco da Igreja paquistanesa onde extremistas muçulmanos causaram
um massacre, conversa com a Agência Fides
Os funerais pela vítimas do massacre na igreja de Santo Domingo no Paquistão
foram celebrados na tarde de 29 de outubro. Segundo o P. Roque Patras, dominicano
de 40 anos, e há 5 anos à frente da paróquia de Santo Domingo,
"por volta das 8h45 da manhã de 28 de outubro, ao final da oração,
quando o Pastor Emmanuel estava se despedindo da comunidade, chegaram 5 pessoas
em 2 motocicletas começando a disparar contra os policiais de guarda
na porta. Um deles foi assassinado e o outro ferido. Depois entraram na igreja
e começaram a disparar, assassinando a 17 pessoas: 6 mulheres, 6 homens
incluindo o policial mencionado e 5 crianças. Enquanto estava me preparando
para a Missa ouvi gritos e choro. Fui até a porta da igreja e vi algumas
crianças que fugiam e um cristão que assistia o policial ferido.
Tudo aconteceu em poucos minutos e os assassinos conseguiram fugir. Todos os
fiéis e os católicos que chegavam para a Missa se ocuparam dos
feridos e dos mortos".
Há algum vínculo entre os bombardeios do Afeganistão e
este massacre?
Absolutamente sim. No Paquistão há muitos grupos fundamentalistas
islâmicos ligados a redes terroristas da Caxemira e do Afeganistão.
Em todos estes anos, quando alguma país muçulmano é atacado
pelas potências ocidentais, os cristãos do Paquistão pagam
as conseqüências: assassinatos, torturas, sofrimentos... Aconteceu
assim durante a guerra do Golfo, há 10 anos. E há 4 anos uma aldeia
cristã foi totalmente destruída.
Receberam solidariedade da comunidade muçulmana?
As pessoas daqui nos são muito próximas. Também a administração
do Paquistão sente muito o ocorrido. Nos visitou também o Ministro
para as Minorias Religiosas, o Dr. Ghalib Ranjha. Os fundamentalistas são
um exíguo grupo. A maioria da população nos deu os pêsames
e mostraram solidariedade.
Pensa que a Igreja estava suficientemente protegida?
Havia somente dois guardas. Não era muito, mas toda a situação
do Paquistão está de cabeça pela tensão. E o ataque
foi tão imprevisto
Por que os fundamentalistas paquistaneses, para protestar contra os ataques
americanos ao Afeganistão, matam a outros paquistaneses?
Porque dizem: assim como os cristãos da América, da Grã
Bretanha e da França estão bombardeando nossos irmãos do
Islã, assim também nós matamos a seus irmãos cristãos.
Foi sempre assim aqui, no Paquistão. Temo que no futuro será pior.
O governo está disposto a nos proteger, mas há muitíssimas
situações de tensão no país, manifestações
contra o governo Temo que haverá ainda muitas vítimas entre
os cristãos.