APRESENTAÇÃO
O leitmotiv desta Via-Sacra
é evidenciado já na oração inicial e, depois, na
XIV estação. Trata-se da afirmação pronunciada por
Jesus no Domingo de Ramos – logo a seguir à sua entrada em Jerusalém
– como resposta à súplica de alguns Gregos que queriam vê-Lo:
«Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele
só; mas, se morrer, dá muito fruto» (Jo 12, 24). Deste modo,
o Senhor interpreta todo o seu caminho terreno como o percurso do grão
de trigo, que, só através da morte, chega a produzir fruto. Interpreta
a sua vida terrena, a sua morte e a sua ressurreição de modo a
desembocar na Santíssima Eucaristia, na qual está compendiado
todo o seu mistério. Uma vez que Ele viveu a sua morte como uma oferta
de Si mesmo, como um acto de amor, o seu corpo foi transformado na nova vida
da ressurreição. Por isso, Ele, o Verbo encarnado, tornou-Se agora
o nosso alimento, que conduz à verdadeira vida, à vida eterna.
O Verbo eterno – a força criadora da vida – desceu do Céu,
tornando-Se assim o verdadeiro maná, o pão que o homem comunga
na fé e no sacramento. Deste modo, a Via-Sacra torna-se num caminho que
introduz dentro do mistério eucarístico: a piedade popular e a
piedade sacramental da Igreja interligam-se e fundem-se. A devoção
da Via-Sacra pode ser vista como um caminho que leva à comunhão
profunda, espiritual com Jesus, sem a qual ficaria vazia a comunhão sacramental.
A Via-Sacra apresenta-se como um caminho «mistagógico».
Contraposta a esta visão,
aparece a compreensão puramente sentimental da Via-Sacra, para cujo perigo,
na VIII estação, o Senhor alerta as mulheres de Jerusalém
que choram por Ele. O mero sentimento não basta; a Via-Sacra deveria
ser uma escola de fé, daquela fé que, por sua natureza, «actua
pela caridade» (Gal 5, 6). Mas isto não quer dizer que se deva
excluir o sentimento. Segundo os Padres da Igreja, o primeiro defeito dos pagãos
é precisamente a sua falta de coração; por isso, os Padres
repropõem a visão de Ezequiel que comunica ao povo de Israel a
promessa feita por Deus de tirar do peito deles o coração de pedra
e dar-lhes um coração de carne (cf. Ez 11, 19). A Via-Sacra mostra-nos
um Deus que partilha pessoalmente os sofrimentos dos homens, cujo amor não
se mantém impassível nem distante, mas desce ao nosso meio até
à morte na cruz (cf. Fil 2, 8). Este Deus que partilha os nossos sofrimentos,
o Deus que Se fez homem para levar a nossa cruz, quer transformar o nosso coração
de pedra chamando-nos a partilhar os sofrimentos alheios, quer dar-nos um «coração
de carne» que não fique impassível diante dos sofrimentos
alheios, mas se deixe comover e nos leve ao amor que cura e ajuda. Isto reconduz-nos
às palavras de Jesus sobre o grão de trigo que Ele próprio
transforma em fórmula basilar da existência cristiana: «Quem
ama a sua vida perdê-la-á, e quem neste mundo aborrece a sua vida
conservá-la-á para a vida eterna» (Jo 12, 15; cf. Mt 16,
25; Mc 8, 35; Lc 9, 24; 17, 33: «Quem procurar salvaguardar a vida, perdê-la-á,
e quem a perder, conservá-la-á»). Daqui se vê também
o alcance do significado da frase que precede, nos evangelhos sinópticos,
esta afirmação central da sua mensagem: «Se alguém
quiser vir após Mim, renegue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me»
(Mt 16, 24). Com todas estas palavras, o próprio Jesus nos dá
a interpretação da «Via-Sacra», ensina-nos como devemos
fazê-la e segui-la: a Via-Sacra é o caminho da perda de nós
mesmos, isto é, o caminho do amor verdadeiro. Ele precedeu-nos neste
caminho; este é o caminho que a devoção da Via-Sacra nos
quer ensinar. E isto leva-nos mais uma vez ao grão de trigo, à
Santíssima Eucaristia, na qual se torna continuamente presente entre
nós o fruto da morte e da ressurreição de Jesus. Na Eucaristia,
Ele caminha connosco, como outrora com os discípulos de Emaús,
fazendo-Se constantemente nosso contemporâneo.
ORAÇÃO
INICIAL
V/. Em nome do Pai e do
Filho e do Espírito Santo.
R. Amen.
Senhor Jesus Cristo, por
nós aceitastes a sorte do grão de trigo que cai na terra e morre
para produzir muito fruto (Jo 12, 24). E convidais-nos a seguir-Vos pelo mesmo
caminho quando dizeis: «Quem ama a sua vida perdê-la-á, e
quem neste mundo aborrece a sua vida conservá-la-á para a vida
eterna» (Jo 12, 15). Mas nós estamos agarrados à nossa vida.
Não queremos abandoná-la, mas reservá-la inteiramente para
nós mesmos. Queremos possuí-la; não oferecê-la. Mas
Vós seguis à nossa frente e mostrais-nos que só dando a
nossa vida é que podemos salvá-la. Acompanhando-Vos na vossa Via-Sacra,
quereis que sigamos o caminho do grão de trigo, o caminho duma fecundidade
que dura até à eternidade. A cruz – a oferta de nós
mesmos – custa-nos muito. Mas, na vossa Via-Sacra, carregastes também
a minha cruz, e não o fizestes num momento remoto qualquer, porque o
vosso amor é contemporâneo à minha vida. Hoje mesmo carregais
a cruz comigo e por mim, e, de modo admirável, quereis que agora também
eu, como outrora Simão de Cirene, carregue convosco a vossa cruz e, acompanhando-Vos,
me coloque convosco ao serviço da redenção do mundo. Ajudai-me
para que a minha Via-Sacra não seja apenas um fugidio devoto sentimento.
Ajudai-nos a acompanhar-Vos não somente com nobres pensamentos, mas a
percorrer o vosso caminho com o coração, antes, com os passos
concretos da nossa vida diária. Ajudai-nos para que sigamos com todo
o nosso ser o caminho da cruz, e permaneçamos no vosso caminho para sempre.
Livrai-nos do medo da cruz, do medo perante a troça alheia, do medo de
poder fugir-nos a nossa vida se não agarrarmos tudo o que ela nos oferece.
Ajudai-nos a desmascarar as tentações que prometem vida, mas cujas
ofertas no fim nos deixam apenas vazios e desiludidos. Ajudai-nos a não
querer apoderarmo-nos da vida, mas a dá-la. Ajudai-nos, acompanhando-Vos
pelo percurso do grão de trigo, a encontrar, no «perder a vida»,
o caminho do amor, o caminho que verdadeiramente nos dá a vida, e vida
em abundância (Jo 10, 10)
PRIMEIRA
ESTAÇÃO
Jesus é condenado à morte
V/. Adoramus te, Christe,
et benedicimus tibi.
R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.
Do evangelho
segundo São Mateus 27, 22-23.26
Retorquiu-lhes
Pilatos: "E que hei-de fazer de Jesus que é chamado Messias"
Replicaram todos: "Seja crucificado!" Pilatos insistiu: "Então,
que mal fez Ele" Mas eles gritavam mais ainda: "Seja crucificado!"
(...) Soltou-lhes então Barrabás. E a Jesus, depois de O ter mandado
açoitar, entregou-O para ser crucificado.
MEDITAÇÃO
O Juiz do mundo, que um
dia voltará para nos julgar a todos, está ali, aniquilado, insultado
e inerme diante do juiz terreno. Pilatos não é um monstro de malvadez.
Sabe que este condenado é inocente; procura um modo de O libertar. Mas
o seu coração está dividido. E, no fim, faz prevalecer
a sua posição, a si mesmo, sobre o direito. Também os homens
que gritam e pedem a morte de Jesus não são monstros de malvadez.
Muitos deles, no dia de Pentecostes, sentir-se-ão «emocionados
até ao fundo do coração» (Act 2, 37), quando Pedro
lhes disser: A «Jesus de Nazaré, Homem acreditado por Deus junto
de vós, (...), matastes, cravando-O na cruz pela mão de gente
perversa» (Act 2, 22.23). Mas naquele momento sofrem a influência
da multidão. Gritam porque os outros gritam e como gritam os outros.
E, assim, a justiça é espezinhada pela cobardia, pela pusilanimidade,
pelo medo do diktat da mentalidade predominante. A voz subtil da consciência
fica sufocada pelos gritos da multidão. A indecisão, o respeito
humano dão força ao mal.
ORAÇÃO
Senhor, fostes condenado
à morte porque o medo do olhar alheio sufocou a voz da consciência.
E, assim, acontece que, sempre ao longo de toda a história, inocentes
sejam maltratados, condenados e mortos. Quantas vezes também nós
preferimos o sucesso à verdade, a nossa reputação à
justiça. Dai força, na nossa vida, à voz subtil da consciência,
à vossa voz. Olhai-me como olhastes para Pedro depois de Vos ter negado.
Fazei com que o vosso olhar penetre nas nossas almas e indique a direcção
à nossa vida. Àqueles que na Sexta-feira Santa gritaram contra
Vós, no dia de Pentecostes destes a contrição do coração
e a conversão. E assim destes esperança a todos nós. Não
cesseis de dar também a nós a graça da conversão.
Todos:
Pater noster, qui es in
cælis;
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.
Stabat Mater dolorosa
iuxta crucem lacrimosa,
dum pendebat Filius.
SEGUNDA
ESTAÇÃO
Jesus é carregado com a cruz
V/. Adoramus te, Christe,
et benedicimus tibi.
R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.
Do evangelho
segundo São Mateus 27, 27-31
Então,
os soldados do governador levaram Jesus consigo para o Pretório e reuniram
junto d'Ele toda a companhia. Depois de O terem despido, envolveram-n'O em um
manto encarnado. Teceram uma coroa de espinhos, que Lhe puseram na cabeça,
e, na mão direita, colocaram-Lhe uma cana. Ajoelharam-se diante d'Ele
e escarneceram-n'O dizendo: "Salve, ó rei dos Judeus!" Depois,
cuspiram n'Ele e pegaram na cana e puseram-se a bater-Lhe com ela na cabeça.
No fim de O terem escarnecido, despiram-Lhe o manto, vestiram-Lhe as suas roupas
e levaram-n'O para O crucificarem.
MEDITAÇÃO
Jesus, condenado como pretenso
rei, é escarnecido, mas precisamente na troça aparece cruelmente
a verdade. Quantas vezes as insígnias do poder trazidas pelos poderosos
deste mundo são um insulto à verdade, à justiça
e à dignidade do homem! Quantas vezes os seus rituais e as suas grandes
palavras, verdadeiramente, não passam de pomposas mentiras, uma caricatura
do dever que lhes incumbe por força do seu cargo, ou seja, colocar-se
ao serviço do bem. Por isso mesmo, Jesus, Aquele que é escarnecido
e que traz a coroa do sofrimento, é o verdadeiro rei. O seu ceptro é
justiça (cf. Sal 45/44, 7). O preço da justiça é
sofrimento neste mundo: Ele, o verdadeiro rei, não reina por meio da
violência, mas através do amor com que sofre por nós e connosco.
Ele carrega a cruz, a nossa cruz, o peso de sermos homens, o peso do mundo.
É assim que Ele nos precede e mostra como encontrar o caminho para a
vida verdadeira.
ORAÇÃO
Senhor, deixastes que Vos
escarnecessem e ultrajassem. Ajudai-nos a não fazer coro com aqueles
que escarnecem quem sofre e quem é frágil. Ajudai-nos a reconhecer
o vosso rosto em quem é humilhado e marginalizado. Ajudai-nos a não
desanimar perante as zombarias do mundo quando a obediência à vossa
vontade é metida a ridículo. Carregastes a cruz e convidastes-nos
a seguir-Vos por este caminho (Mt 10, 38). Ajudai-nos a aceitar a cruz, a não
fugir dela, a não lamentarmo-nos nem deixar que os nossos corações
se abatam com as provas da vida. Ajudai-nos a percorrer o caminho do amor e,
obedecendo às suas exigências, a alcançar a verdadeira alegria.
Todos:
Pater noster, qui es in
cælis;
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.
Cuius animam gementem,
contristatam et dolentem
pertransivit gladius.
TERCEIRA
ESTAÇÃO
Jesus cai pela primeira vez
V/. Adoramus te, Christe,
et benedicimus tibi.
R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.
Do livro do profeta
Isaías 53, 4-6
Eram os nossos males que
Ele suportava, e as nossas dores que tinha sobre Si. Mas nós víamos
n’Ele um homem castigado, ferido por Deus e sujeito à humilhação.
Ele foi trespassado por causa das nossas culpas, e esmagado devido às
nossas faltas. O castigo que nos salva, caiu sobre Ele, e por causa das suas
chagas é que fomos curados. Todos nós, como ovelhas, andávamos
errantes, seguindo cada qual o seu caminho. E o Senhor fez cair sobre Ele as
faltas de todos nós.
MEDITAÇÃO
O homem caiu e continua
a cair: quantas vezes ele se torna a caricatura de si mesmo, já não
é a imagem de Deus, mas algo que mete a ridículo o Criador. Aquele
que, ao descer de Jerusalém para Jericó, embateu nos ladrões
que o despojaram deixando-o meio morto, sangrando na beira da estrada, não
é porventura a imagem por excelência do homem? A queda de Jesus
sob a cruz não é apenas a queda do homem Jesus já extenuado
pela flagelação. Aqui aparece algo de mais profundo, como diz
Paulo na carta aos Filipenses: «Ele que era de condição
divina não reivindicou o direito de ser equiparado a Deus. Mas despojou-Se
a Si mesmo tomando a condição de servo, tornando-Se semelhante
aos homens (…) humilhou-Se a Si mesmo, feito obediente até à
morte e morte de cruz» (Fil 2, 6-8). Na queda de Jesus sob o peso da cruz,
é visível todo este seu itinerário: a sua voluntária
humilhação para nos levantar do nosso orgulho. E ao mesmo tempo
aparece a natureza do nosso orgulho: a soberba pela qual desejamos emancipar-nos
de Deus sendo apenas nós mesmos, pela qual cremos que não temos
necessidade do amor eterno, mas queremos organizar a nossa vida sozinhos. Nesta
revolta contra a verdade, nesta tentativa de nos tornarmos deus, de sermos criadores
e juízes de nós mesmos, caímos e acabamos por autodestruir-nos.
A humilhação de Jesus é a superação da nossa
soberba: com a sua humilhação, Ele faz-nos levantar. Deixemos
que nos levante. Despojemos-nos da nossa auto-suficiência, da nossa errada
cisma de autonomia e aprendamos o contrário d’Ele, d’Aquele
que Se humilhou, ou seja, aprendamos a encontrar a nossa verdadeira grandeza,
humilhando-nos e voltando-nos para Deus e para os irmãos espezinhados.
ORAÇÃO
Senhor Jesus, o peso da
cruz fez-Vos cair por terra. O peso do nosso pecado, o peso da nossa soberba
deita-Vos ao chão. Mas, a vossa queda não é sinal de um
destino adverso, nem é a pura e simples fraqueza de quem é espezinhado.
Quisestes vir até junto de nós que, pela nossa soberba, jazemos
por terra. A soberba de pensar que somos capazes de produzir o homem fez com
que os homens se tenham tornado um espécie de mercadoria para comprar
e vender, como que uma reserva de material para as nossas experiências,
pelas quais esperamos de, por nós mesmos, superar a morte, quando, na
verdade, conseguimos apenas humilhar cada vez mais profundamente a dignidade
do homem. Senhor, vinde em nossa ajuda, porque caímos. Ajudai-nos a abandonar
a nossa soberba devastadora e, aprendendo da vossa humildade, a pormo-nos novamente
de pé.
Todos:
Pater noster, qui es in
cælis;
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.
O quam tristis et afflicta
fuit illa benedicta
Mater Unigeniti!
QUARTA
ESTAÇÃO
Jesus encontra sua Mãe
V/. Adoramus te, Christe,
et benedicimus tibi.
R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.
Do evangelho
segundo São Lucas 2, 34-35.51
Simeão
abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: "Ele foi estabelecido
para a queda e o ressurgir de muitos em Israel, e para ser sinal de contradição;
e uma espada Te há-de traspassar a alma. Assim se deverão revelar
os intentos de muitos corações" (...) Sua mãe guardava
no coração todas estas recordações.
MEDITAÇÃO
Na Via-Sacra de Jesus, aparece
também Maria, sua Mãe. Durante a sua vida pública, teve
de ficar de lado para dar lugar ao nascimento da nova família de Jesus,
a família dos seus discípulos. Teve também de ouvir estas
palavras: «Quem é a minha Mãe e quem são os meus
irmãos? (…) Todo aquele que fizer a vontade de meu Pai que está
nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe»
(Mt 12, 48.50). Pode-se agora constatar que Ela é a Mãe de Jesus
não só no corpo, mas também no coração. Ainda
antes de O ter concebido no corpo, pela sua obediência concebera-O no
coração. Fora-Lhe dito: «Hás-de conceber no teu seio
e dar à luz um filho (…) Será grande (…) O Senhor
Deus dar-Lhe-á o trono de seu pai David» (Lc 1, 31-32). Mas algum
tempo depois ouvira da boca do velho Simeão uma palavra diferente: «Uma
espada Te há-de trespassar a alma» (Lc 2, 35). Deste modo ter-Se-á
lembrado de certas palavras pronunciadas pelos profetas, tais como: «Foi
maltratado e resignou-se, não abriu a boca, como cordeiro levado ao matadouro»
(Is 53, 7). Agora tudo isto se torna realidade. No coração, tinha
sempre conservado as palavras que o anjo Lhe dissera quando tudo começou:
«Não tenhas receio, Maria» (Lc 1, 30). Os discípulos
fugiram; Ela não foge. Ela está ali, com a coragem de mãe,
com a fidelidade de mãe, com a bondade de mãe, e com a sua fé,
que resiste na escuridão: «Feliz daquela que acreditou» (Lc
1, 45). «Mas, quando o Filho do Homem voltar, encontrará fé
sobre a terra?» (Lc 18, 8). Sim, agora Ele sabe-o: encontrará fé.
E esta é, naquela hora, a sua grande consolação.
ORAÇÃO
Santa Maria, Mãe
do Senhor, permanecestes fiel quando os discípulos fugiram. Tal como
acreditastes quando o anjo Vos anunciou o que era incrível – que
haverias de ser Mãe do Altíssimo – assim também acreditastes
na hora da sua maior humilhação. E foi assim que, na hora da cruz,
na hora da noite mais escura do mundo, Vos tornastes Mãe dos crentes,
Mãe da Igreja. Nós Vos pedimos: ensinai-nos a acreditar e ajudai-nos
para que a fé se torne coragem de servir e gesto de um amor que socorre
e sabe partilhar o sofrimento.
Todos:
Pater noster, qui es in
cælis;
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.
Quæ mærebat
et dolebat,
pia Mater, dum videbat
Nati pœnas incliti.
QUINTA
ESTAÇÃO
Jesus é ajudado a levar a cruz pelo Cireneu
V/. Adoramus te, Christe,
et benedicimus tibi.
R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.
Do evangelho
segundo São Mateus 27, 32; 16, 24
Ao
saírem, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, e requisitaram-no,
para levar a cruz de Jesus. Jesus disse aos seus discípulos: "Se
alguém quiser seguir-Me, renegue-se a si mesmo, pegue na sua cruz e siga-Me".
MEDITAÇÃO
Simão de Cirene regressa
do trabalho, vai a caminho de casa quando se cruza com aquele triste cortejo
de condenados – para ele talvez fosse um espectáculo habitual.
Os soldados valem-se do seu direito de coacção e colocam a cruz
às costas dele, robusto homem do campo. Que aborrecimento não
deverá ter sentido ao ver-se inesperadamente envolvido no destino daqueles
condenados! Faz o que deve fazer, mas certamente com grande relutância.
E todavia o evangelista Marcos nomeia, juntamente com ele, também os
seus filhos, que evidentemente eram conhecidos como cristãos, como membros
daquela comunidade (Mc 15, 21). Do encontro involuntário, brotou a fé.
Acompanhando Jesus e compartilhando o peso da cruz, o Cireneu compreendeu que
era uma graça poder caminhar juntamente com este Crucificado e assisti-Lo.
O mistério de Jesus que sofre calado tocou-lhe o coração.
Jesus, cujo amor divino era o único que podia, e pode, redimir a humanidade
inteira, quer que compartilhemos a sua cruz para completar o que ainda falta
aos seus sofrimentos (Col 1, 24). Sempre que, bondosamente, vamos ao encontro
de alguém que sofre, alguém que é perseguido e inerme,
partilhando o seu sofrimento ajudamos a levar a própria cruz de Jesus.
E assim obtemos salvação, e nós mesmos podemos contribuir
para a salvação do mundo.
ORAÇÃO
Senhor, abristes a Simão
de Cirene os olhos e o coração, dando-lhe, na partilha da cruz,
a graça da fé. Ajudai-nos a assistir o nosso próximo que
sofre, ainda que este chamamento resultasse em contradição com
os nossos projectos e as nossas simpatias. Concedei-nos reconhecer que é
uma graça poder partilhar a cruz dos outros e experimentar que dessa
forma estamos a caminhar convosco. Fazei-nos reconhecer com alegria que é
precisamente pela partilha do vosso sofrimento e dos sofrimentos deste mundo
que nos tornamos ministros da salvação, podendo assim ajudar a
construir o vosso corpo, a Igreja.
Todos:
Pater noster, qui es in
cælis;
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.
Quis est homo qui non fleret,
Matrem Christi si videret
in tanto supplicio?
SEXTA
ESTAÇÃO
A Verónica limpa o rosto de Jesus
V/. Adoramus te, Christe,
et benedicimus tibi.
R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.
Do livro do
profeta Isaías 53, 2-3
O
meu Servo cresceu (…) sem distinção nem beleza que atraia
o nosso olhar, nem aspecto agradável que possa cativar-nos. Desprezado
e repelido pelos homens, homem de dores, afeito ao sofrimento, é como
aquele a quem se volta a cara, pessoa desprezível, da qual se não
faz caso.
Do livro dos
Salmos 27/26, 8-9
Segredou-me
o coração: "Procura a sua face!" É, Senhor, o
vosso rosto que eu persigo. Não escondais de mim o vosso rosto, nem rejeiteis
com ira o vosso servo. Vós sois a minha ajuda, o Deus da minha salvação.
MEDITAÇÃO
«É, Senhor,
o vosso rosto que eu persigo. Não escondais de mim o vosso rosto»
(Sal 27/26, 8). Verónica – Berenice, segundo a tradição
grega – encarna este anseio que irmana todos os homens piedosos do Antigo
Testamento, o anseio que provam todos os homens crentes de verem o rosto de
Deus. Em todo o caso, na Via-Sacra de Jesus, inicialmente ela limitara-se a
prestar um serviço de gentileza feminina: oferecer um lenço a
Jesus. Não se deixa contagiar pela brutalidade dos soldados, nem imobilizar
pelo medo dos discípulos. É a imagem da mulher bondosa que, perante
o turbamento e escuridão dos corações, mantém a
coragem da bondade, não permite ao seu coração de entenebrecer-se:
«Bem-aventurados os puros de coração, porque verão
a Deus» – dissera o Senhor no Discurso da Montanha (Mt 5, 8). Ao
princípio, Verónica via apenas um rosto maltratado e marcado pela
dor. Mas, o acto de amor imprime no seu coração a verdadeira imagem
de Jesus: no Rosto humano, coberto de sangue e de feridas, ela vê o Rosto
de Deus e da sua bondade que nos acompanha mesmo na dor mais profunda. Somente
com o coração podemos ver Jesus. Apenas o amor nos torna capazes
de ver e nos torna puros. Só o amor nos faz reconhecer Deus, que é
o próprio amor.
ORAÇÃO
Senhor, dai-nos a inquietação
do coração que procura o vosso rosto. Protegei-nos do obscurecimento
do coração que vê apenas a superfície das coisas.
Concedei-nos aquela generosidade e pureza de coração que nos tornam
capazes de ver a vossa presença no mundo. Quando não formos capazes
de realizar grandes coisas, dai-nos a coragem de uma bondade humilde. Imprimi
o vosso rosto nos nossos corações, para Vos podermos encontrar
e mostrar ao mundo a vossa imagem.
Todos:
Pater noster, qui es in
cælis;
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.
Pro peccatis suae gentis
vidit Iesum in tormentis
et flagellis subditum.
SÉTIMA
ESTAÇÃO
Jesus cai pela segunda vez
V/. Adoramus te, Christe,
et benedicimus tibi.
R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.
Do livro das
Lamentações 3, 1-2.9.16
Eu
sou o homem que conheceu a miséria sob a vara do seu furor. Ele me guiou
e me fez andar nas trevas e não na luz. (…) Embarrou meus caminhos
com blocos de pedra, obstruiu minhas veredas. (…) Ele quebrou meus dentes
com cascalho, mergulhou-me na cinza.
MEDITAÇÃO
A tradição
da tríplice queda de Jesus sob o peso da cruz recorda a queda de Adão
– o ser humano caído que somos nós – e o mistério
da associação de Jesus à nossa queda. Na história,
a queda do homem assume sempre novas formas. Na sua primeira carta, S. João
fala duma tríplice queda do homem: a concupiscência da carne, a
concupiscência dos olhos e a soberba da vida. Assim interpreta ele a queda
do homem e da humanidade, no horizonte dos vícios do seu tempo com todos
os seus excessos e depravações. Mas, olhando a história
mais recente, podemos também pensar como a cristandade, cansada da fé,
abandonou o Senhor: as grandes ideologias, com a banalização do
homem que já não crê em nada e se deixa simplesmente ir
à deriva, construíram um novo paganismo, um paganismo pior que
o antigo, o qual, desejoso de marginalizar definitivamente Deus, acabou por
perder o homem. Eis o homem que jaz no pó. O Senhor carrega este peso
e cai... cai, para poder chegar até nós; Ele olha-nos para que
em nós volte a palpitar o coração; cai para nos levantar.
ORAÇÃO
Senhor Jesus Cristo, carregastes
o nosso peso e continuais a carregar-nos. É o nosso peso que Vos faz
cair. Mas sois Vós a levantar-nos, porque, sozinhos, não conseguimos
levantar-nos do pó. Livrai-nos do poder da concupiscência. Em vez
do coração de pedra, dai-nos novamente um coração
de carne, um coração capaz de ver. Destruí o poder das
ideologias, para os homens poderem reconhecer que estão permeadas de
mentiras. Não permitais que o muro do materialismo se torne intransponível.
Fazei que Vos ouçamos de novo. Tornai-nos sóbrios e vigilantes
para podermos resistir às forças do mal, e ajudai-nos a reconhecer
as necessidades interiores e exteriores dos outros, e a socorrê-las. Erguei-nos,
para podermos levantar os outros. Concedei-nos esperança no meio de toda
esta escuridão, para podermos ser portadores de esperança no mundo.
Todos:
Pater noster, qui es in
cælis;
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.
Quis non posset contristari,
Christi Matrem contemplari,
dolentem cum Filio?
OITAVA
ESTAÇÃO
Jesus encontra as mulheres de Jerusalém que choram por Ele
V/. Adoramus te, Christe,
et benedicimus tibi.
R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.
Do evangelho
segundo São Lucas 23, 28-31
Jesus
voltou-Se para elas e disse-lhes: "Mulheres de Jerusalém, não
choreis por Mim; chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos. Pois
dias virão em que se dirá: "Felizes as estéreis, as
entranhas que não tiveram filhos e os peitos que não amamentaram".
Nessa altura, começarão a dizer aos montes: "Caí sobre
nós", e às colinas: "Encobri-nos". Porque se fazem
assim no madeiro verde, que será no madeiro seco?"
MEDITAÇÃO
As palavras com que Jesus
adverte as mulheres de Jerusalém que O seguem e choram por Ele, fazem-nos
reflectir. Como entendê-las? Não se trata porventura de uma advertência
contra uma piedade puramente sentimental, que não se torna conversão
e fé vivida? De nada serve lamentar, por palavras e sentimentalmente,
os sofrimentos deste mundo, se a nossa vida continua sempre igual. Por isso,
o Senhor nos adverte do perigo em que nós próprios nos encontramos.
Mostra-nos a seriedade do pecado e a seriedade do juízo. Apesar de todas
as nossas palavras de horror à vista do mal e dos sofrimentos dos inocentes,
não somos nós porventura demasiado inclinados a banalizar o mistério
do mal? Da imagem de Deus e de Jesus, no fim de contas, admitimos apenas o aspecto
terno e amável, enquanto tranquilamente cancelámos o aspecto do
juízo? Como poderia Deus fazer-Se um drama com a nossa fragilidade –
pensamos cá connosco –, não passamos de simples homens?!
Mas, fixando os sofrimentos do Filho, vemos toda a seriedade do pecado, vemos
como tem de ser expiado até ao fim para poder ser superado. Não
se pode continuar a banalizar o mal, quando vemos a imagem do Senhor que sofre.
Também a nós, diz Ele: Não choreis por Mim, chorai por
vós próprios... porque se tratam assim o madeiro verde, que será
do madeiro seco?
ORAÇÃO
Senhor, às mulheres
que choravam, falastes de penitência, do dia do Juízo, quando nos
encontrarmos diante da vossa face, a face do Juiz do mundo. Chamais-nos a sair
da banalização do mal que nos deixa tranquilos para podermos continuar
a nossa vida de sempre. Mostrai-nos a seriedade da nossa responsabilidade, o
perigo de sermos encontrados, no Juízo, culpados e estéreis. Fazei
com que não nos limitemos a caminhar ao vosso lado, oferecendo apenas
palavras de compaixão. Convertei-nos e dai-nos uma vida nova; não
permitais que acabemos por ficar como um madeiro seco, mas fazei que nos tornemos
ramos vivos em Vós, a videira verdadeira, e produzamos fruto para a vida
eterna (cf. Jo 15, 1-10).
Todos:
Pater noster, qui es in
cælis;
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.
Tui Nati vulnerati,
tam dignati pro me pati,
poenas mecum divide.
NONA
ESTAÇÃO
Jesus cai pela terceira vez
V/. Adoramus te, Christe,
et benedicimus tibi.
R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.
Do livro das
Lamentações 3, 27-32
É
bom para o homem suportar o jugo desde a sua juventude. Que esteja solitário
e silencioso, quando o Senhor o impuser sobre ele; que ponha sua boca no pó:
talvez haja esperança! Que dê sua face a quem o fere e se sacie
de opróbrios. Pois o Senhor não rejeita para sempre: se Ele aflige,
Ele se compadece segundo a sua grande bondade.
MEDITAÇÃO
E que dizer da terceira
queda de Jesus sob o peso da cruz? Pode talvez fazer-nos pensar na queda do
homem em geral, no afastamento de muitos de Cristo, caminhando à deriva
para um secularismo sem Deus. Mas não deveríamos pensar também
em tudo quanto Cristo tem sofrido na sua própria Igreja? Quantas vezes
se abusa do Santíssimo Sacramento da sua presença, frequentemente
como está vazio e ruim o coração onde Ele entra! Tantas
vezes celebramos apenas nós próprios, sem nos darmos conta sequer
d’Ele! Quantas vezes se contorce e abusa da sua Palavra! Quão pouca
fé existe em tantas teorias, quantas palavras vazias! Quanta sujeira
há na Igreja, e precisamente entre aqueles que, no sacerdócio,
deveriam pertencer completamente a Ele! Quanta soberba, quanta auto-suficiência!
Respeitamos tão pouco o sacramento da reconciliação, onde
Ele está à nossa espera para nos levantar das nossas quedas! Tudo
isto está presente na sua paixão. A traição dos
discípulos, a recepção indigna do seu Corpo e do seu Sangue
é certamente o maior sofrimento do Redentor, o que Lhe trespassa o coração.
Nada mais podemos fazer que dirigir-Lhe, do mais fundo da alma, este grito:
Kyrie, eleison – Senhor, salvai-nos (cf. Mt 8, 25).
ORAÇÃO
Senhor, muitas vezes a vossa
Igreja parece-nos uma barca que está para afundar, uma barca que mete
água por todos os lados. E mesmo no vosso campo de trigo, vemos mais
cizânia que trigo. O vestido e o rosto tão sujos da vossa Igreja
horrorizam-nos. Mas somos nós mesmos que os sujamos! Somos nós
mesmos que Vos traímos sempre, depois de todas as nossas grandes palavras,
os nossos grandes gestos. Tende piedade da vossa Igreja: também dentro
dela, Adão continua a cair. Com a nossa queda, deitamo-Vos ao chão,
e Satanás a rir-se porque espera que não mais conseguireis levantar-Vos
daquela queda; espera que Vós, tendo sido arrastado na queda da vossa
Igreja, ficareis por terra derrotado. Mas, Vós erguer-Vos-eis. Vós
levantastes-Vos, ressuscitastes e podeis levantar-nos também a nós.
Salvai e santificai a vossa Igreja. Salvai e santificai a todos nós.
Todos:
Pater noster, qui es in
cælis;
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.
Eia, mater, fons amoris,
me sentire vim doloris
fac, ut tecum lugeam.
DÉCIMA
ESTAÇÃO
Jesus é crucificado
V/. Adoramus te, Christe,
et benedicimus tibi.
R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.
Do evangelho
segundo São Mateus 27, 33-36
Chegados
a um lugar chamado Gólgota, quer dizer «Lugar do Crânio»,
deram-Lhe a beber vinho misturado com fel. Mas Jesus, quando o provou, não
quis beber. Depois de O terem crucificado, repartiram entre si as suas vestes,
tirando-as à sorte, e ficaram ali sentados a guardá-Lo.
MEDITAÇÃO
Jesus é despojado
das suas vestes. A roupa confere ao homem a sua posição social;
dá-lhe o seu lugar na sociedade, fá-lo sentir alguém. Ser
despojado em público significa que Jesus já não é
ninguém, nada mais é que um marginalizado, desprezado por todos.
O momento do despojamento recorda-nos também a expulsão do paraíso:
ficou sem o esplendor de Deus o homem, que agora está, ali, nu e exposto,
desnudado e envergonha-se. Deste modo, Jesus assume mais uma vez a situação
do homem caído. Jesus despojado recorda-nos o facto de que todos nós
perdemos a «primeira veste», isto é, o esplendor de Deus.
Junto da cruz, os soldados lançam sortes para repartirem entre si os
seus míseros haveres, as suas vestes. Os evangelistas narram isto com
palavras tiradas do Salmo 22, 19 e assim afirmam-nos o mesmo que Jesus há-de
dizer aos discípulos de Emaús: tudo aconteceu «conforme
as Escrituras». Não se trata aqui de pura coincidência, tudo
o que acontece está contido na Palavra de Deus e assente no seu desígnio
divino. O Senhor experimenta todos os estádios e degraus da perdição
dos homens, e cada um destes degraus é, com toda a sua amargura, um passo
da redenção: é precisamente assim que Ele traz de volta
para casa a ovelha perdida. Recordemos ainda que, segundo diz S. João,
o objecto do sorteio era a túnica de Jesus, a qual, «toda tecida
de alto a baixo, não tinha costura» (Jo 19, 23). Podemos considerar
isto como uma alusão à veste do sumo sacerdote, que era «tecida
como um todo», sem costura (Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas,
III, 161). Ele, o Crucificado, é realmente o verdadeiro sumo sacerdote.
ORAÇÃO
Senhor Jesus, fostes despojado
das vossas vestes, exposto à desonra, expulso da sociedade. Assumistes
sobre Vós a desonra de Adão, sanando-a. Assumistes os sofrimentos
e as necessidades dos pobres, daqueles que são expulsos do mundo. Deste
modo é que realizais a palavra dos profetas. É precisamente assim
que dais significado àquilo que não tem significado. Assim mesmo
nos dais a conhecer que nas mãos do vosso Pai estais Vós, nós
e o mundo. Concedei-nos um respeito profundo pelo homem em todas as fases da
sua existência e em todas as situações onde o encontrarmos.
Dai-nos a veste luminosa da vossa graça.
Todos:
Pater noster, qui es in
cælis;
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.
Fac ut ardeat cor meum
in amando Christum Deum,
ut sibi complaceam.
DÉCIMA
PRIMEIRA ESTAÇÃO
Jesus promete o seu Reino ao bom ladrão
V/. Adoramus te, Christe,
et benedicimus tibi.
R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.
Do evangelho
segundo São Mateus 27, 37-42
Puseram
por cima da cabeça d'Ele um letreiro escrito com a causa da condenação:
"Este é Jesus, o Rei dos Judeus". Foram então crucificados
com Ele dois salteadores, um à direita e outro à esquerda. Os
que passavam dirigiam-Lhe insultos, abanavam a cabeça e diziam: "Tu
que demolias o Templo e o reedificavas em três dias, salva-Te a Ti mesmo,
se és Filho de Deus, e desce da cruz!" De igual modo, também
os sumos sacerdotes troçavam, juntamente com os escribas e os anciãos,
e diziam: "Salvou os outros e a Si mesmo não pode salvar-Se! É
Rei de Israel! Desça agora da cruz, e acreditaremos n'Ele".
MEDITAÇÃO
Jesus é pregado na
cruz. O sudário de Turim permite formar uma ideia da crueldade incrível
deste processo. Jesus não toma a bebida anestesiante que Lhe fora oferecida:
conscientemente assume todo o sofrimento da crucifixão. Todo o seu corpo
é martirizado; cumpriram-se as palavras do Salmo: «Eu, porém,
sou um verme e não um homem, o opróbrio dos homens e a abjecção
da plebe» (Sal 22/21, 7). «Como um homem (…) diante do qual
se tapa o rosto, menosprezado e desestimado. Na verdade Ele tomou sobre Si as
nossas doenças, carregou as nossas dores» (Is 53, 3-4). Detenhamo-nos
diante desta imagem de sofrimento, diante do Filho de Deus sofredor. Olhemos
para Ele nos momentos de presunção e de prazer, para aprendermos
a respeitar os limites e a ver a superficialidade de todos os bens puramente
materiais. Olhemos para Ele nos momentos de calamidade e de angústia,
para reconhecermos que precisamente assim estamos perto de Deus. Procuremos
reconhecer o seu rosto naqueles que tendemos a desprezar. Diante do Senhor condenado,
que não quer usar o seu poder para descer da cruz, mas antes suportou
o sofrimentos da cruz até ao fim, pode assomar ainda outro pensamento.
Inácio de Antioquia, ele mesmo preso com cadeias pela sua fé no
Senhor, elogiou os cristãos de Esmirna pela sua fé inabalável:
afirma que estavam, por assim dizer, pregados com a carne e o sangue à
cruz do Senhor Jesus Cristo (1, 1). Deixemo-nos pregar a Ele, sem ceder a qualquer
tentação de nos separarmos nem ceder às zombarias que pretendem
levar-nos a fazê-lo.
ORAÇÃO
Senhor Jesus Cristo, fizestes-Vos
pregar na cruz, aceitando a crueldade terrível deste tormento, a destruição
do vosso corpo e da vossa dignidade. Fizestes-Vos pregar, sofrestes sem evasões
nem descontos. Ajudai-nos a não fugir perante o que somos chamados a
realizar. Ajudai-nos a fazermo-nos ligar estreitamente a Vós. Ajudai-nos
a desmascarar a falsa liberdade que nos quer afastar de Vós. Ajudai-nos
a aceitar a vossa liberdade «ligada» e a encontrar nesta estreita
ligação convosco a verdadeira liberdade.
Todos:
Pater noster, qui es in
cælis;
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.
Sancta Mater, istud agas,
Crucifixi fige plagas
cordi meo valide.
DÉCIMA
SEGUNDA ESTAÇÃO
Jesus na Cruz, a Mãe e o Discípulo
V/. Adoramus te, Christe,
et benedicimus tibi.
R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.
Do evangelho
segundo São Mateus 27, 45-50.54
A
partir do meio-dia, houve trevas em toda a região, até às
três horas da tarde. E, pelas três horas da tarde, Jesus bradou
com voz forte: "Eli, Eli, lemá sabachthani", quer dizer, "Meu
Deus, Meu Deus, porque Me abandonaste?" Alguns dos presentes ouviram e
disseram: «Está a chamar por Elias». E logo um deles correu
a pegar numa esponja, ensopou-a em vinagre, pô-la numa cana e deu-Lhe
a beber. Mas os outros disseram: «Deixa lá! Vejamos se Elias vem
salvá-Lo». E Jesus, dando novamente um forte brado, expirou.
Entretanto, o centurião
e os que estavam com ele de guarda a Jesus, ao verem o tremor de terra e o que
estava a suceder, ficaram aterrados e disseram: «Ele era, na verdade,
Filho de Deus».
MEDITAÇÃO
No cimo da cruz de Jesus
– nas duas línguas do mundo de então, o grego e o latim,
e na língua do povo eleito, o hebraico – está escrito quem
é: o Rei dos Judeus, o Filho prometido a David. Pilatos, o juiz injusto,
tornou-se profeta sem querer. Perante a opinião pública mundial
é proclamada a realeza de Jesus. O próprio Jesus não tinha
aceite o título de Messias, enquanto poderia induzir a uma ideia errada,
humana, de poder e de salvação. Mas, agora, o título pode
estar escrito ali publicamente sobre o Crucificado. Ele, assim, é verdadeiramente
o rei do mundo. Agora foi verdadeiramente «elevado». Na sua descida,
Ele subiu. Agora cumpriu radicalmente o mandamento do amor, cumpriu a oferta
de Si próprio, e precisamente deste modo Ele é agora a manifestação
do verdadeiro Deus, daquele Deus que é amor. Agora sabemos quem é
Deus. Agora sabemos como é a verdadeira realeza. Jesus reza o Salmo 22,
que começa por estas palavras: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?»
(Sal 22/21, 2). Assume em Si mesmo todo o Israel, a humanidade inteira, que
sofre o drama da escuridão de Deus, e faz com que Deus Se manifeste precisamente
onde parece estar definitivamente derrotado e ausente. A cruz de Cristo é
um acontecimento cósmico. O mundo fica na escuridão, quando o
Filho de Deus sofre a morte. A terra treme. E junto da cruz tem início
a Igreja dos pagãos. O centurião romano reconhece, compreende
que Jesus é o Filho de Deus. Da cruz, Ele triunfa sem cessar.
ORAÇÃO
Senhor Jesus Cristo, na
hora da vossa morte, o sol escureceu. Sois pregado na cruz sem cessar. Precisamente
nesta hora da história, vivemos na escuridão de Deus. Pelo sofrimento
sem medida e pela maldade dos homens o rosto de Deus, o vosso rosto, aparece
obscurecido, irreconhecível. Mas foi precisamente na cruz que Vos fizestes
reconhecer. Precisamente enquanto sois Aquele que sofre e que ama, sois aquele
que é elevado. Foi precisamente lá que triunfastes. Ajudai-nos
a reconhecer, nesta hora de escuridão e confusão, o vosso rosto.
Ajudai-nos a crer em Vós e a seguir-Vos precisamente na hora da escuridão
e da privação. Mostrai-Vos novamente ao mundo nesta hora. Fazei
com que a vossa salvação se manifeste.
Todos:
Pater noster, qui es in
cælis;
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.
Fac me vere tecum flere,
Crucifixo condolere,
donec ego vixero.
DÉCIMA
TERCEIRA ESTAÇÃO
Jesus morre na Cruz
V/. Adoramus te, Christe,
et benedicimus tibi.
R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.
Do evangelho
segundo São Mateus 27, 54-55
O
centurião e os que estavam com ele de guarda a Jesus, ao verem o tremor
de terra e o que estava a suceder, ficaram aterrados e disseram: «Ele
era, na verdade, Filho de Deus». Estavam ali, a observar de longe, muitas
mulheres, que tinham seguido Jesus desde a Galileia, para O servirem.
MEDITAÇÃO
Jesus morreu, o seu coração
é trespassado pela lança do soldado romano e dele brotam sangue
e água: misteriosa imagem do rio dos sacramentos, do Baptismo e da Eucaristia,
dos quais, em virtude do coração trespassado do Senhor, renasce
incessantemente a Igreja. E não Lhe são quebradas as pernas, como
aos outros dois crucificados; deste modo Ele aparece como o verdadeiro cordeiro
pascal, ao qual nenhum osso deve ser quebrado (cf. Ex 12, 46). E agora que tudo
suportou, vemos que Ele, apesar de toda a confusão dos corações,
apesar do poder do ódio e da cobardia, não ficou sozinho. Os fiéis
existem. Junto da cruz, estavam Maria, sua Mãe, a irmã de sua
Mãe, Maria, Maria de Magdala e o discípulo que Ele amava. Agora
chega também um homem rico, José de Arimateia: o rico encontra
modo de passar pela buraco de uma agulha, porque Deus lhe dá a graça.
Sepulta Jesus no seu túmulo ainda intacto, num jardim: o cemitério
onde fica sepultado Jesus transforma-se em jardim, no jardim donde fora expulso
Adão quando se separara da plenitude da vida, do seu Criador. O túmulo
no jardim faz-nos saber que o domínio da morte está para terminar.
E chega também um membro do Sinédrio, Nicodemos, a quem Jesus
tinha anunciado o mistério do renascimento pela água e pelo Espírito.
Até no Sinédrio, que tinha decidido a sua morte, há alguém
que acredita, que conhece e reconhece Jesus após a sua morte. Sobre a
hora do grande luto, da grande escuridão e do desespero, aparece misteriosamente
a luz da esperança. O Deus escondido permanece em todo o caso o Deus
vivo e próximo. O Senhor morto permanece em todo o caso o Senhor e nosso
Salvador, mesmo na noite da morte. A Igreja de Jesus Cristo, a sua nova família,
começa a formar-se.
ORAÇÃO
Senhor, descestes à
escuridão da morte. Mas o vosso corpo é recolhido por mãos
bondosas e envolvido num cândido lençol (Mt 27, 59). A fé
não está completamente morta, não se pôs totalmente
o sol. Quantas vezes parece que Vós estais a dormir. Como é fácil
a nós, homens, afastar-nos dizendo para nós mesmos: Deus morreu.
Fazei com que, na hora da escuridão, reconheçamos que em todo
o caso Vós estais lá. Não nos deixeis sozinhos quando tendemos
a desanimar. Ajudai-nos a não deixar-Vos sozinho. Dai-nos uma fidelidade
que resista no desânimo e um amor que Vos acolha no momento mais extremo
da vossa necessidade, como a vossa Mãe, que Vos abraçou de novo
no seu regaço. Ajudai-nos, ajudai os pobres e os ricos, os simples e
os sábios, a ver através dos seus medos e preconceitos e a oferecer-Vos
a nossa capacidade, o nosso coração, o nosso tempo, preparando
assim o jardim no qual possa dar-se a ressurreição.
Todos:
Pater noster, qui es in
cælis;
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.
Vidit suum dulcem Natum
morientem, desolatum,
cum emisit spiritum.
DÉCIMA
QUARTA ESTAÇÃO
Jesus é depositado no sepulcro
V/. Adoramus te, Christe,
et benedicimus tibi.
R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.
Do evangelho
segundo São Mateus 27, 59-61
José
pegou no corpo de Jesus, envolveu-o num lençol limpo e depositou-o no
seu túmulo novo, que tinha mandado escavar na rocha. Depois, rolou uma
grande pedra para a porta do túmulo e retirou-se. Entretanto, estavam
ali Maria de Magdala e a outra Maria, sentadas em frente do sepulcro.
MEDITAÇÃO
Jesus, desonrado e ultrajado,
é deposto com todas as honras num túmulo novo. Nicodemos traz
uma mistura de mirra e aloés de cem libras destinada a emanar um perfume
precioso. Agora na oferta do Filho revela-se, como sucedera já na unção
de Betânia, um excesso que nos recorda o amor generoso de Deus, a «superabundância»
do seu amor. Deus faz generosamente oferta de Si próprio. Se a medida
de Deus é superabundante, também para nós nada deveria
ser demasiado para Deus. Foi o que o próprio Jesus nos ensinou no discurso
da Montanha (Mt 5, 20). Mas é preciso lembrar também as palavras
de S. Paulo a propósito de Deus, que «por nosso meio faz sentir
em todos os lugares o odor do seu conhecimento. Somos, para Deus, o bom odor
de Cristo» (2 Cor 2, 14-15). Na putrefacção das ideologias,
a nossa fé deveria ser de novo o perfume que reconduz às pegadas
da vida. No momento da deposição, começa a realizar-se
a palavra de Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão
de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer,
dá muito fruto» (Jo 12, 24). Jesus é o grão de trigo
que morre. Do grão de trigo morto começa a grande multiplicação
do pão que dura até ao fim do mundo: Ele é o pão
de vida capaz de saciar em medida superabundante a humanidade inteira e dar-lhe
o alimento vital: o Verbo eterno de Deus, que Se fez carne e também pão,
para nós, através da cruz e da ressurreição. Sobre
a sepultura de Jesus resplandece o mistério da Eucaristia.
ORAÇÃO
Senhor Jesus Cristo, na
sepultura fizestes vossa a morte do grão de trigo, tornastes-Vos o grão
de trigo morto que produz fruto ao longo de todos os tempos até à
eternidade. Do sepulcro brilha em cada tempo a promessa do grão de trigo,
do qual provém o verdadeiro maná, o pão de vida em que
Vós mesmo Vos ofereceis a nós. A Palavra eterna, através
da encarnação e da morte, tornou-Se a Palavra próxima:
Colocais-Vos nas nossas mãos e nos nossos corações para
que a vossa Palavra cresça em nós e produza fruto. Dais-Vos a
Vós próprio através da morte do grão de trigo, para
que nós tenhamos a coragem de perder a nossa vida para encontrá-la;
para que também nós nos fiemos da promessa do grão de trigo.
Ajudai-nos a amar cada vez mais o vosso mistério eucarístico e
a venerá-lo – a viver verdadeiramente de Vós, Pão
do Céu. Ajudai-nos a tornarmo-nos o vosso «odor», a tornar
palpáveis os vestígios da vossa vida neste mundo. Do mesmo modo
que o grão de trigo se eleva da terra como caule e espiga, assim também
Vós não podeis ficar no sepulcro: o sepulcro está vazio
porque Ele – o Pai – não Vos «abandonou na habitação
dos mortos nem permitiu que a vossa carne conhecesse a decomposição»
(cf. Act 2, 31; Sal 16, 10 LXX). Não, Vós não experimentastes
a corrupção. Ressuscitastes e destes espaço à carne
transformada no coração de Deus. Fazei com que possamos alegrar-nos
com esta esperança e possamos levá-la jubilosamente pelo mundo;
fazei que nos tornemos testemunhas da vossa ressurreição.
Todos:
Pater noster, qui es in cælis;
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.
Quando corpus morietur
fac ut animae donetur
paradisi gloria. Amen.
BÊNÇÃO
V/. Dominus vobiscum.
R/. Et cum spiritu tuo.
V/. Sit nomen Domini benedictum.
R/. Ex hoc nunc et usque in sæculum.
V/. Adiutorium nostrum in
nomine Domini.
R/. Qui fecit cælum et terram.
V/. Benedicat vos omnipotens
Deus,
Pater a et Filius + et Spiritus a Sanctus.
R/. Amen.