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Panorama mundial


Europa Oriental

A Europa oriental - particularmente na Federação Russa- continua apresentando crescimento mais rápido do mundo na epidemia, com um aumento brusco no número de novas infecções. Estima-se que nessa região durante o ano 2001 ocorreram 250 mil novas infecções, pelo que o número de pessoas que vivem com o HIV alcançou a cifra de um milhão.

Tendo em conta o alto grau de promiscuidade que existe -e não somente nas populações de alto risco - e as elevadas taxas de consumo de drogas intravenosas entre os jovens, é altamente possível que o vírus aumente consideravelmente.

- Na Federação Russa prossegue o alarmante aumento nos últimos anos nas infecções pelo HIV, com novos diagnósticos de casos notificados multiplicando-se praticamente por dois anualmente desde de 1998.

Nos primeiros seis meses de 2001 foram comunicados mais de 40 mil novos diagnósticos soropositivos. A cifra total de pessoas infectadas ascendeu a 129 mil em junho de 2001, mas estima-se que o número se soropositivos é muitas vezes mais elevado que as cifras notificadas no informe.

- A Ucrânia apresenta a taxa mais alta da região. Se bem o consumo de drogas intravenosas é atualmente responsável por três quartos das infecções pelo HIV neste país, a proporção de infecções pelo HIV transmitidas sexualmente está aumentando.

- Na Estônia as infecções pelo HIV notificadas deram um salto de 12 em 1999 a 1112 nos nove primeiros meses de 2001. Também é informado do surgimento do HIV relacionado com o uso de drogas intravenosas em diversas repúblicas da Ásia centra, incluídos Kasaquistão e, mais recentemente, Kirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão.

- No sudoeste da Europa, as taxas de infecções por transmissão sexual e de consumo de drogas injetáveis também estão aumentando, ainda que apresente níveis consideravelmente mais baixos que no resto da região. O tráfico de drogas, junto com as seqüelas econômicas e psicológicas dos recente conflitos, estão incrementando a probabilidade de que sejam declaradas epidemias de HIV na região.

- Na Europa central, existem razões para um otimismo moderado. No momento há poucos indícios de um aumento potencial nas infecções por HIV. Por meio de uma resposta nacional enérgica, o governo da Polônia reduziu satisfatoriamente a epidemia entre os consumidores de drogas e evitou que se propague na população geral. Em países como Eslovénia, Hungria e a República Checa, a prevalência continua sendo baixa.

Ásia e Pacífico

As estatísticas totalizam que na atualidade existem 7, 1 milhões de pessoas infectadas, e que no ano 2001, a epidemia ceifou 435.000 vidas na região. Além disso, neste mesmo ano, foram produzidos 1,07 milhões de novas infecções em adultos e crianças. Entretanto, são particularmente inquietantes os dramáticos aumentos registrados em alguns dos países mais populosos do mundo, como por exemplo a China.

Com efeito, os dados da vigilância sobre a enorme população da China são fragmentários, mas o Ministério da Saúde do país estima que em 2000 havia uns 600 000 chineses vivendo com o HIV/AIDS. Tendo em conta os aumentos nas infecções pelo HIV notificados e nas taxas de infecção em muitas subpopulações em diversas partes do país, a cifra total de pessoas que vivem com o HIV/AIDS na China poderia ter excedido facilmente o milhão em finais de 2001.

Nos seis primeiros meses de 2001 as infecções por HIV notificadas aumentaram em 67,4% em comparação com o ano anterior.

A vasta e populosa Índia enfrenta problemas semelhantes. Em finais de 2000 a taxa de prevalência nacional do HIV em adultos estava situada abaixo de 1%, ainda que isso significasse que havia ao menos 3,86 milhões de indianos que estavam vivendo com o HIV/AIDS: mais que qualquer outro país, exceto África do Sul. A epidemia da Índia também é impressionantemente diversa, tanto dentro dos estados como entre eles.

A Indonésia, o quarto país mais populoso do mundo, oferece um exemplo de como pode aparecer repentinamente uma epidemia de HIV/AIDS. Depois de mais de uma década de taxas de HIV insignificantes, agora em alguns lugares do país estão aumentando com grande rapidez as taxas de infecção entre os consumidores de drogas injetáveis e o profissionais do sexo, e está sendo observado também um crescimento exponencial na infecção entre os doadores de sangue (um indicador da propagação do HIV na população geral).

Os comportamentos que acarretam o maior risco de infecção na Ásia e no Pacífico é a alta promiscuidade sexual que existe tanto nas populações heterossexuais como homossexuais; e as agulhas compartilhadas, atividade própria de consumidores de drogas. A tudo isto, é necessário acrescentar o "comércio sexual", atividade muito lucrativa nestes países e que está proporcionando ao vírus uma alta margem de propagação considerando que são os pobres os que têm que recorrer a este negócio para sua subsistência.

África subsaariana

Em 2001, a AIDS tirou a vida de 2.3 milhões de africanos. Os 3.4 milhões de novas infecções por HIV estimadas na África subsaariana no ano passado significam que agora há 28.1 milhões de africanos que vivem com o vírus. Sem o tratamento e a assistência adequados, a maioria deles não sobreviverão até a próxima década.

Neste ano produziram-se cerca de 3,4 milhões de novas infecções, e estima-se que para finais do mesmo, 2,3 milhões de africanos tenham falecido por causa do vírus.

Em 16 países africanos, pelo menos 10% das pessoas de 15 a 49 anos de idade estão infectadas. Entre esses países incluem-se alguns que estão situados na África austral e onde como mínimo 20% desse grupo de população está infectado. Em toda a região, os países estão ampliando e intensificando suas respostas. Mas as elevadas taxas de prevalência implicam que, ainda que obtenham êxitos excepcionais no campo da prevenção, com isso agora tão somente conseguirá reduzir gradualmente a perda de vidas humanas.

"A situação provocada pela AIDS na África é catastrófica -apontou o Dr. Peter Piot, Diretor Executivo da ONUAIDS-, e a região subsaariana desse continente continua encabeçando a lista das zonas mais afetadas do mundo. Um dos maiores motivos de preocupação é que nos próximos anos a epidemia irá piorar inevitavelmente".

Com efeito, a epidemia causada na África pelo vírus da AIDS, que alcançou proporções épicas, vai fazer desaparecer toda uma geração e mudará o0 futuro demográfico do continente, segundo afirma outro informe do Instituto Worldwatch.
Este estudo indica que o vírus reduziu as expectativas de vida, aumentando a mortalidade, diminuído a fertilidade, criado um excesso de homens sobre mulheres e deixado milhões de órfãos em sua passagem. Todos estes fatores juntos farão com que mude a evolução demográfica do continente, ao menos na região subsaariana, sem que no momento se conheçam os resultados finais.

Praticamente todos morrerão antes de 2010, assegura Worldwatch. Em países como Botswana, 36% da população é HIV positivo. No Zimbabwe e Swazilândia as cifras por contágio alcançam 25%. O estudo insiste nas expectativas de vida, porque são um indicador do progresso econômico de um país, e aponta que no Zimbabwe, onde seria de 70 anos em a AIDS, com a doença não superará os 35 anos.

Apesar do número de novas infecções, algumas partes da África subsaariana apresentam taxas de infecção estáveis ou até mesmo estão reduzindo.

A AIDS passou a ser a maior ameaça para o desenvolvimento do continente e para seu esforço por conseguir um renascimento africano. A maioria dos governos na África subsaariana dependem de um reduzido pessoal altamente especializado em áreas importantes da administração pública e dos serviços sociais básicos.

Os países gravemente afetados estão perdendo muitos desses valiosos funcionários por causa da AIDS. Os serviços essenciais vão reduzindo e ao mesmo tempo as instituições estatais sofrem maiores tensões, os recursos do Estado se esgotam e as redes tradicionais se desintegram. Em alguns países, os sistemas de assistência de saúde estão perdendo até um quarto parte de seu pessoal por causa da epidemia. As pessoas de todos os níveis de renda são vulneráveis a essas repercussões, mas os que vivem na pobreza são os mais afetados. Entretanto, a capacidade do Estado para manter a lei e a ordem está ficando prejudicada, já que a epidemia provoca graves quebras nas instituições como os tribunais e a polícia.

O risco de agitação social e inclusive de instabilidade política não deve ser subestimado.


Oriente Médio e África do Norte

No Oriente Médio e África do Norte, o número de pessoas que vivem com o HIV atinge a cifra de 440 000. O progresso da epidemia foi em países como Djibuti, Somália e Sudão que já estão vivendo emergências complexas; e já está sendo detectado um crescente número de infecções por HIV em países como a República Islâmica do Irã, a Jamahiriya Árabe Líbia e o Paquistão.

Nos países do Oriente Médio e África do Norte, observa-se também uma tendência ao crescimento nas taxas de infecção por HIV, se bem que são ainda muito baixas.

Os fatores que expõem as pessoas ao risco são variados, se bem que o coito sexual continua sendo a vida de transmissão principal.

Aparentemente, na atualidade estão sendo produzidos surtos por todas as partes, incluindo na Jamahiriya Árabe Líbia, onde grande parte de todas as 570 novas infecções notificadas em 2000 foram produzidos entre consumidores de drogas intravenosas. Djibuti e o Sudão estão enfrentando umas crescentes epidemias favorecidas pela combinação das desigualdades socio-econômicas, a mobilidade da população em grande escala e a instabilidade política.

Em outros grupos vulneráveis a taxa de infecção por HIV está aumentando de forma significativa. Entre os reclusos na República Islâmica do Irã, as taxas de infecção por HIV passaram de 1,37% em 1999 para 2,28% em 2000. Com exceção do Sudão e a República do Yemen, todos os países na região notificaram casos de transmissão do HIV através do consumo de drogas intravenosas. A menos que não se aborde imediatamente por meio da redução do dano e de outros enfoques preventivos, a epidemia entre essas subpopulações de consumidores de drogas intravenosas poderia crescer de forma acusada e se propagar na população geral.

 

Países de renda elevadas

Nos países de rendas elevadas, onde em 2001 mais de 75 mil pessoas contraíram o HIV, pende também a ameaça de desenvolver-se uma epidemia mais importante. Na atualidade o total de pessoas que vivem com o HIV/AIDS nestes países é de 1,5 milhões. Os recentes progressos alcançados no tratamento e a assistência nesses países não correspondem de forma congruente com suficientes progressos na prevenção. Apareceram novos indícios do aumento das taxas de infecção pelo HIV na América do Norte, algumas partes da Europa e Austrália. As relaciones sexuais perigosas, que se manifestam em surtos epidêmicos de infecções de transmissão sexual, e o consumo generalizado de drogas intravenosas estão propulsando essas epidemias, que ao mesmo tempo estão se deslocando mais para as comunidades desfavorecidas.

O aumento nas novas infecções entre os homens que têm relações sexuais com homens é alarmante. Cidades como Vancouver, Londres e São Francisco foram as mais vulneráveis ao mortal vírus, e segundo estudos recentes, as infecções continuam aumentando.

 

América Latina e Caribe

Calcula-se que na América Latina e Caribe, uma região que está sofrendo diversas epidemias, há 1,8 milhões de adultos e crianças que estão vivendo com o HIV.

O Caribe é a segunda região mais afetada no mundo; e em alguns países desta zona, a aids passou a ser causa principal de mortalidade. Os mais afetados são o Haiti e as Bahamas, onde as taxas de prevalência do HIV em adultos estão acima de 4%. Mas isso não significa que a epidemia se concentre unicamente no Caribe, já que alguns países da América Central - como Belice, Guiana, Honduras, Panamá e Suriname- apresentavam taxas de prevalência do HIV entre adultos de pelo menos 1%. Pelo contrário, a prevalência é mais baixa na Bolívia, Equador e outros países andinos.

Cerca de três quartos dos casos de AIDS notificados na América Central são resultado das relaciones sexuais entre homens e mulheres. Em algumas ilhas do Caribe, o fenômeno de mulheres jovens que têm relações sexuais com homens mais velhos é particularmente destacado, e fica refletido no fato de que a taxa do HIV entre as meninas de 15 a 19 anos de idade é até cinco vezes maior que a dos meninos do mesmo grupo de idade.

Na Costa Rica, México, Nicarágua e algumas partes da região andina, as relações sexuais entre homens são o principal modo de transmissão do HIV. Recentes estudos feitos com homens homossexuais no México colocaram em evidência que mais de 14% são HIV-positivos. Por outro lado, as taxas de prevalência entre profissionais do sexo heterossexuais e entre pacientes de infecções transmitidas sexualmente nesse país parecem ser ainda baixas. O consumo de drogas intravenosas é um principal modo de transmissão do HIV na Argentina, Chile e Uruguai, e também desempenha um papel importante no Brasil.

Em algumas grandes zonas metropolitanas do Brasil foi observado um notável decréscimo na prevalência do HIV entre os consumidores de drogas intravenosas. De acordo com o Ministério da Saúde, o número de pessoas que estão vivendo atualmente com HIV/AIDS no país é de 600 000, quando em 1999 eram 540 000. Estima-se que 105 000 brasileiros estão recebendo medicamentos antirretrovirais através do sistema de saúde pública.

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